tech & talk
Mercado19 de set. de 2026, 11:02

Lula sanciona lei que libera R$ 7 bi para minerais críticos no Brasil

Nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos cria fundo garantidor de R$ 2 bilhões e crédito tributário de R$ 5 bilhões para atrair investimento em terras raras e processamento local.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

R$ 7 bilhões para tirar o Brasil da dependência de matéria-prima bruta

São R$ 7 bilhões em incentivos federais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou em jogo ao sancionar, nesta terça-feira (16), a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, aprovada pelo Senado em 2 de setembro. O PL 2.780/2024 mira o gargalo mais óbvio da cadeia mineral brasileira: o país tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China, que soma 44 milhões — mas segue exportando praticamente tudo como minério bruto, sem beneficiamento local.

O desenho financeiro explica a aposta. O novo Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) nasce com aporte de R$ 2 bilhões da União, podendo chegar a R$ 5 bilhões com a entrada de recursos privados. Paralelamente, um programa de crédito tributário destinará R$ 5 bilhões, entre 2030 e 2034, a projetos de processamento e transformação — a etapa que hoje o Brasil praticamente terceiriza para o exterior. As próprias empresas do setor vão alimentar parte da conta: contribuição inicial de 0,2% da receita para o fundo garantidor e 0,3% para pesquisa e desenvolvimento, percentual que pode subir a 0,5% depois.

Foto: reprodução/www12.senado.leg.br

Quem sai ganhando com o mapeamento

Outro número expõe o tamanho do problema que a lei tenta resolver: apenas 25% do território brasileiro foi efetivamente mapeado em busca de depósitos minerais. Para reverter isso, o orçamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão responsável pela pesquisa de solo, salta de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões — um aumento de quase 40 vezes que sinaliza a prioridade dada à exploração geológica nos próximos anos.

A lei também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, um Certificado Mineral de Baixo Carbono voluntário, áreas prioritárias em leilões da Agência Nacional de Mineração e debêntures incentivadas para financiar exploração. Segundo o Ministério de Minas e Energia, comandado por Alexandre Silveira, e a Casa Civil, chefiada por Miriam Belchior, o objetivo é fortalecer a cadeia produtiva de insumos usados em smartphones, veículos elétricos, defesa e transição energética.

O que está em disputa

Na prática, a política aposta que dinheiro público destrava capital privado represado por falta de garantia e informação geológica — os dois maiores entraves apontados historicamente pelo setor de mineração no Brasil. Mineradoras e empresas de processamento tendem a ser as beneficiárias diretas dos créditos tributários; o desafio será transformar reserva mapeada em produção efetiva antes que outros países, também correndo atrás de terras raras fora da órbita chinesa, ocupem esse espaço.

minerais criticosterras rarasmineracaopolitica industrialgoverno federal
Compartilhar