
Mach Industries dobra valuation para US$ 3,7 bi em apenas 3 meses
A startup de defesa levantou US$ 600 milhões em extensão da Series C, dobrando o valuation em relação a junho e multiplicando por quase 8 vezes o valor de um ano atrás.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 600 milhões é o novo cheque que dobra a Mach Industries em 3 meses
A Mach Industries, startup americana de defesa que fabrica veículos militares não tripulados, levantou US$ 600 milhões em uma extensão da Series C, elevando seu valuation para US$ 3,7 bilhões — o dobro dos US$ 1,8 bilhão registrados em junho, quando a empresa já havia captado US$ 300 milhões na rodada original. Somando as duas tranches, a Series C total chega a US$ 900 milhões. O múltiplo mais impressionante, porém, é de mais longo prazo: em um ano, o valuation saltou de US$ 470 milhões (Series B, junho de 2025) para US$ 3,7 bilhões, um salto de quase 8 vezes.
Quem ganha: o fundador de 22 anos e os apostadores em defesa
A empresa é comandada por Ethan Thornton, que abandonou o MIT aos 19 anos para fundá-la em 2023 e hoje tem 22. A Mach desenvolve uma linha de veículos autônomos militares — como o Viper (decolagem vertical), o Glide (planador de altitude), o Stratos (vigilância), o Dart (interceptação anti-drone) e o Pike (lançamento de munições) — e recentemente fechou um contrato com o Departamento de Defesa dos EUA para uma sexta plataforma. A companhia opera uma instalação de 115 mil pés quadrados em Huntington Beach, na Califórnia, além de outras unidades no estado, e cresceu de 12 para 350 funcionários em um ano.
Os investidores que bancaram as duas tranches da Series C — Ribbit Capital, Infinite Capital, Bedrock Capital e Sequoia Capital — apostam na tese de que tecnologia de defesa é hoje uma das áreas mais quentes do venture capital, puxada pelo desempenho de armas autônomas e sistemas de defesa contra drones testados em combate na guerra da Ucrânia.
Quem perde: contratantes tradicionais de defesa
A proposta comercial da Mach é oferecer sistemas integrados mais baratos que os de fornecedores estabelecidos do setor — um desafio direto aos grandes contratantes tradicionais que dominam contratos militares há décadas. Para sustentar essa promessa em escala, a empresa também comprou a Exquadrum por US$ 50 milhões, movimento voltado a driblar a escassez de motores de foguete sólido, hoje concentrada em apenas dois grandes fornecedores do setor.
Com o novo aporte, o dinheiro vai financiar o desenvolvimento contínuo das plataformas de ataque de longo alcance e contradrone, além da expansão da infraestrutura de manufatura necessária para produzir esses sistemas em escala — um requisito crítico num mercado onde a capacidade de fabricação, e não só a tecnologia, decide quem fecha os próximos contratos bilionários.