
Maeving RM2: moto elétrica retrô é estilosa, mas cobra caro pelos defeitos
A RM2, da fabricante britânica de motos elétricas Maeving, aposta em visual retrô-futurista e bateria removível, mas review do The Verge aponta suspensão fraca e autonomia limitada para o preço de US$ 10.995.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Design retrô que chama atenção
A Maeving, fabricante britânica de motos elétricas sediada em Coventry, construiu reputação com a RM1 e agora aposta mais alto com a RM2. Testada pelo The Verge, a moto ocupa um nicho curioso: não é bem uma scooter, não é bem uma motocicleta tradicional, mas flerta com os dois formatos, numa categoria que também inclui a Infinite Machine P1, scooter elétrica americana de visual futurista, e a BMW CE 02.
Na prática, o número que mais importa — 15 cavalos e 193 lb-pé de torque entregues por um motor elétrico instalado direto no cubo da roda traseira — se traduz em arrancada silenciosa e sem trocas de marcha. O problema aparece quando se tenta esticar a velocidade: a RM2 é anunciada com 70 mph (cerca de 113 km/h), mas na avaliação real o velocímetro mal passou de 63 mph (101 km/h) com o acelerador todo aberto. Rodovia não é o habitat natural dela.
Foto: reprodução/electrek.co
Autonomia que exige calma no punho
A RM2 usa duas baterias removíveis de 2,73 kWh cada (5,46 kWh no total), pensadas para sair da moto e carregar dentro de casa — ideal para quem não tem garagem com tomada. A autonomia oficial é de até 80 milhas (129 km), mas no modo esportivo essa marca cai para algo em torno de 50 milhas (80 km). É o tipo de compromisso que se sente na pele: ou se anda rápido e carrega com frequência, ou se economiza energia e perde a adrenalina. O carregador padrão leva cerca de 4 horas para completar o ciclo, e é proprietário — quem quiser usar um plugue J1772 comum precisa comprar um adaptador separado por US$ 440.
Acabamento ainda engasga
Com 320 libras (145 kg) e assento a 30,5 polegadas (77 cm) do chão, a moto é leve e fácil de manusear. Mas o review lista frustrações que pesam no preço: botão de liberação da bateria que às vezes falha, alças de plástico fino para carregar os módulos, espelho esquerdo que solta, suspensão que patina mesmo na versão com upgrade de US$ 995, e ruído incômodo do paralama dianteiro em buracos. Detalhes que destoam de uma moto vendida a partir de US$ 10.995 — e que, na configuração testada, com pintura fosca, suspensão aprimorada e paralamas de fibra de carbono, chegou a US$ 13.275.
Vale o preço?
No Reino Unido a RM2 começa em £7.995, e nos EUA parte de US$ 10.995, vendida só pelo site oficial da Maeving, sem revendedores autorizados. É dinheiro suficiente para comprar duas motos a combustão tradicionais, como uma Royal Enfield Continental GT, e ainda sobrar troco. Para quem já decidiu que quer uma elétrica com cara de clássico britânico e não vai encarar rodovia todo dia, a RM2 cumpre a promessa visual e sonora. Mas, pelo preço cobrado, os detalhes de acabamento pesam mais do que deveriam. Não há, até o momento, indicação de venda da Maeving no Brasil.