
Magalu leva Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos ao Mercado Livre
O Magalu fechou parceria para vender produtos de estoque próprio das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos direto no marketplace do Mercado Livre, com entrega pelo Magalog. São cerca de 27 mil itens no ar.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 27 mil produtos batendo na porta do rival
Duas das maiores empresas de e-commerce do Brasil decidiram trabalhar juntas em vez de só competir. O Magalu fechou parceria com o Mercado Livre, líder do setor no país com GMV que passa dos R$ 138 bilhões segundo ranking do Instituto Retail Think Tank, para vender cerca de 27 mil produtos de estoque próprio das marcas Magazine Luiza, KaBuM! — varejista de eletrônicos e hardware gamer do grupo — e Época Cosméticos, rede de cosméticos também do grupo, direto pelo marketplace concorrente.
Como funciona a parceria
Foto: reprodução/braziljournal.com
O modelo é o chamado "1P": diferente de um vendedor terceiro anunciando no marketplace, é o próprio Magalu que mantém o estoque e vende os produtos, com entrega a cargo do Magalog, operador logístico da companhia. As categorias incluem eletroeletrônicos, móveis, games, informática, cosméticos e perfumaria. Não é a primeira vez que o Magalu adota essa estratégia: a empresa já vende estoque próprio em Amazon, AliExpress, Americanas, Itaú Shop e Livelo, mas a chegada ao Mercado Livre — de longe o maior concorrente direto — é o movimento mais ousado até aqui.
Quem ganha e quem perde
Ganha o consumidor, que passa a encontrar produtos do Magalu dentro do app que já usa para comprar de outras lojas, sem precisar abrir um segundo aplicativo. Ganha o Magalu, que segundo o CEO Frederico Trajano vinha enfrentando mais dificuldade para crescer no digital com rentabilidade do que nas lojas físicas — a aposta é que a maior parte dos clientes que comprar seus produtos pelo Mercado Livre não seria cliente do Magalu de outra forma. Ganha o Mercado Livre, que amplia catálogo em categorias como eletrodomésticos e móveis, item que sua logística tradicionalmente tinha dificuldade de escalar, segundo a própria empresa.
O lado incômodo
Quem perde terreno são outros grandes players de marketplace no Brasil, como Shopee e Amazon, que veem dois gigantes nacionais somando forças em vez de brigar isoladamente. Também é um sinal de que a pulverização da audiência do e-commerce brasileiro — nas palavras do próprio Trajano — está forçando até rivais históricos a dividir vitrine. A dúvida que fica no ar é até que ponto essa dependência de um concorrente como canal de vendas pode, no longo prazo, enfraquecer o próprio app do Magalu como destino direto do consumidor.