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Ciência07 de ago. de 2026, 14:26

Maior telescópio solar do mundo flagra algo nunca antes visto no Sol

O Daniel K. Inouye Solar Telescope registrou, pela primeira vez, instabilidades de Kelvin-Helmholtz na superfície do Sol — vórtices previstos pela teoria há décadas, mas pequenos demais para serem observados até agora.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

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Vórtices teóricos finalmente flagrados

O Daniel K. Inouye Solar Telescope, no Havaí, considerado o maior telescópio solar do mundo, capturou pela primeira vez imagens diretas de vórtices na superfície do Sol conhecidos como instabilidades de Kelvin-Helmholtz (KHI). O fenômeno já era previsto pela teoria física há décadas, mas nunca havia sido observado porque as estruturas são pequenas demais para os instrumentos disponíveis até então.

Segundo a descoberta, publicada na revista científica Nature em 5 de agosto de 2026, os vórtices variam de aproximadamente 19 km a cerca de 170 km de diâmetro — dimensões minúsculas para os padrões solares, o que explica por que passaram despercebidos até a entrada em operação do Inouye, capaz de captar detalhes na superfície do Sol com resolução inédita.

Foto: reprodução/nso.edu

O que é a instabilidade de Kelvin-Helmholtz

A KHI ocorre quando duas camadas de fluido — no caso, plasma solar — deslizam uma sobre a outra em velocidades diferentes. Essa diferença de velocidade cria uma força de cisalhamento na fronteira entre as camadas, que amplifica pequenas perturbações até formar padrões ondulados e vórtices espiralados, de forma parecida com o que acontece quando o vento encontra a superfície do oceano e gera ondas.

Por que isso importa

Foto: reprodução/mpg.de

A descoberta foi feita por uma equipe internacional que reúne o NSF National Solar Observatory, o NSF NCAR High Altitude Observatory, ambos dos Estados Unidos, e o Max Planck Institute for Solar System Research, da Alemanha. Entre os pesquisadores envolvidos no estudo estão Michiel van Noort, David Kuridze e Sami K. Solanki.

Os cientistas apontam que esses vórtices podem ser uma peça importante para dois dos maiores enigmas da física solar: por que a coroa, a camada mais externa da atmosfera do Sol, atinge temperaturas de mais de um milhão de graus Celsius — muito mais quente que a própria superfície — e como a energia magnética se acumula e é liberada de forma explosiva em fenômenos como erupções solares e ejeções de massa coronal.

A engenheira Stacey Sueoka e o instrumentista David Harrington observam o Daniel K. Inouye Solar Telescope. (Foto: Tom Schad)

Ao torcerem continuamente as linhas de campo magnético na superfície solar, os vórtices funcionariam como um mecanismo constante de mistura e transporte de energia, contribuindo tanto para o aquecimento da coroa quanto para o acúmulo de tensão magnética que antecede eventos explosivos. A hipótese foi reforçada por simulações numéricas que reproduziram o comportamento observado nas imagens.

O achado é descrito pelos pesquisadores como um passo importante para entender a dinâmica do plasma solar e estelar, com potencial para aprimorar modelos de previsão de clima espacial, que afetam satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação na Terra.

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