Mais do que troféus: Legacy vira sucesso nas redes sociais chinesas
Com jogadores tratados como popstars no país, organização brasileira investe pesado em conteúdo e aproximação com o público chinês.
Por Larissa Kimura · Repórter de e-sports
Do troféu ao fenômeno de audiência
A Legacy, organização brasileira de Counter-Strike, não vem colecionando apenas taças na China: também virou fenômeno de engajamento nas redes sociais do país. Depois de conquistar o terceiro título consecutivo em solo chinês — somando os títulos do CAC de 2025 e 2026 ao mais recente, o FISSURE Playground #3, em Suzhou —, a equipe consolidou uma base de fãs que hoje rivaliza em tamanho com o público brasileiro.
dumau e latto como estrelas pop
O CEO da organização, Ricardo "dead" Sinigaglia, afirmou que a Legacy hoje ocupa a posição entre "terceiro e quarto" lugar em popularidade na China, atrás apenas de Falcons e Spirit, dois pesos-pesados do cenário chinês. Segundo ele, os jogadores Eduardo "dumau" Wolkmer e Bruno "latto" Rebelatto — este último eleito MVP do FISSURE Playground #3 — se tornaram verdadeiros ídolos por lá. Dumau, em especial, foi descrito como "pop star", alguém que conquistou o público pela simplicidade e pela disposição de interagir com fãs, dando autógrafos e parando para conversar.
Estratégia de aproximação vai além da LAN
A organização mantém canais de redes sociais dedicados ao público chinês, produz conteúdo específico para as principais plataformas de vídeo do país e administra um grupo de WeChat exclusivo para fãs locais. Latto, inclusive, já busca oportunidades como embaixador de marcas na China. O investimento em Bilibili, equivalente chinês do YouTube, tem sido tratado como prioridade, com clipes virais e conteúdo de bastidores.
Números que comprovam o crescimento
O salto de audiência entre 2025 e 2026 é expressivo: a soma de espectadores de pico simultâneo nas plataformas Huya, Douyu, Bilibili e Douyin saltou de cerca de 999 mil para 1,2 milhão de pessoas no período. Para a organização, que reconhece ser hoje "maior na China do que propriamente no Brasil" em termos de alcance, a aposta na conexão direta com o público asiático segue como estratégia central para os próximos torneios no país.