
Mais pás não deixam o ventilador mais forte; veja o que importa
Um ventilador de seis pás pode mover mais ar que um de oito — a diferença real está na vazão de ar, na rotação do motor e no desenho aerodinâmico das hélices.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O mito das pás
É tentador achar que um ventilador com oito pás vai bater mais vento que um de seis, mas a conta não fecha assim. Cada pá extra aumenta a resistência que o motor precisa vencer pra girar a hélice — então um modelo com menos pás, bem desenhado, pode movimentar mais ar que a versão com pás adicionais. Segundo Ricardo Rodriguez, gerente de produto da Electrolux, "o número ideal de pás é resultado de um equilíbrio entre velocidade de ar desejada, alcance do fluxo, potência do motor e valores de ruído" — não existe número mágico.
O que realmente muda a experiência
Foto: reprodução/spacemoney.com.br
A especificação que decide se um ventilador é bom ou não é a vazão de ar, ou seja, quanto ar ele desloca por minuto — não o número de pás nem só a rotação (RPM). Rotação alta ajuda, mas em excesso gera vibração e turbulência, o que na prática significa mais ruído sem ganho real de refrigeração. O diâmetro da hélice também pesa: hélices maiores têm potencial de mover mais ar, mas só entregam esse potencial se o desenho aerodinâmico das pás — curvatura, perfil, inclinação — for eficiente. Um motor superdimensionado pra puxar hélices simples só aumenta o consumo de energia sem melhorar a sensação de vento.
Vale o preço no Brasil?
Na hora de comparar modelos na loja, ignore a contagem de pás na embalagem e procure a ficha técnica com vazão de ar (normalmente em m³/min), consumo em watts e nível de ruído em decibéis — são esses três números, juntos, que definem se o ventilador vale o preço cobrado. Um modelo de seis pás mais caro, mas com vazão maior e motor mais eficiente, tende a compensar melhor que um de oito pás barato e ruidoso.