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IA20 de out. de 2026, 19:12

Mamdani diz que governo dos EUA 'abdicou' da IA e pede resistência em NY

Prefeito de Nova York afirma que uma 'tomada de poder pela IA' não é inevitável e cobra que os nova-iorquinos exijam regulação, diante da inação do governo federal americano sobre o tema.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Um prefeito contra a narrativa da inevitabilidade

Imagine alguém te dizendo que não há nada a fazer diante de uma enchente que já está na porta de casa — melhor só aceitar. É mais ou menos essa a comparação que dá para fazer com o discurso que Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, fez na segunda-feira (19/10) sobre inteligência artificial. Durante o evento The People's AI Assembly, realizado no Webster Hall, em Manhattan, e organizado pelo AI Now Institute (centro de estudos sobre os impactos sociais da IA), Mamdani disse que os nova-iorquinos precisam resistir à ideia de que uma "tomada de poder pela IA" é um destino inevitável.

"Nada tem que ser. Existe um avanço gradual que vem junto com isso, e existe uma intenção de sobrecarregar que faz as pessoas sentirem que simplesmente não há alternativa", afirmou o prefeito, em bate-papo com a atriz e ativista Ilana Glazer.

Quem regula quem?

Aqui está o ponto central do debate, e ele cabe numa pergunta simples: quem deveria ter autoridade para dizer o que a IA pode ou não fazer? Mamdani apontou o dedo para as próprias empresas de tecnologia, criticando o que chamou de postura de infalibilidade do setor. "Existe esse desejo de falar sobre [a IA] como se ela fosse infalível, como se não pudesse ser questionada, como se as únicas pessoas que podem regulá-la fossem justamente as que estão desenvolvendo ela", disse.

Do outro lado dessa discussão está o argumento, repetido com frequência por parte do setor e de autoridades em Washington, de que regular demais a IA agora atrapalharia os Estados Unidos numa corrida tecnológica contra a China. Foi exatamente esse argumento que o prefeito rejeitou, acusando o governo federal de uma "completa abdicação da lei federal" quando o assunto é IA — para ele, debates nacionais priorizam a competição geopolítica acima de preocupações humanitárias.

Da sala de aula ao mercado imobiliário

Mamdani não ficou só no discurso. Em setembro, a prefeitura baniu por um ano o uso de ferramentas de IA voltadas a estudantes em escolas de ensino fundamental (até o 8º ano) na rede municipal, afetando cerca de 600 mil alunos — mantendo, porém, a liberdade de professores usarem IA para preparar aulas. No verão de 2026, a gestão também passou a exigir que corretores e plataformas imobiliárias informem claramente quando fotos ou vídeos de um imóvel anunciado foram gerados por IA, para evitar o que vem sendo chamado de "house-phishing" — uma espécie de phishing imobiliário, quando o anúncio engana o comprador sobre a aparência real do imóvel.

A pressão por uma lei estadual

No evento, Mamdani também declarou apoio a um projeto de lei estadual que tornaria permanente a moratória sobre novos data centers assinada em julho pela governadora de Nova York, Kathy Hochul — hoje uma medida temporária. O prefeito disse que vai pedir à governadora que sancione o chamado Responsible Data Center Development Act, aprovado pelas duas câmaras do legislativo estadual em junho.

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