
MAN mostra caminhão elétrico com 720 km de autonomia e recarga em 30 min
A alemã MAN revelou na IAA Transportation, em Hannover, a nova geração do eTGX, que promete até 720 km com uma carga e recarrega de 20% a 80% em cerca de 30 minutos — distância suficiente para rodar de São Paulo a Florianópolis sem parar no plugue.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
720 km é o número que muda a conta da logística pesada
A MAN, fabricante alemã de caminhões e ônibus do grupo Traton, apresentou na IAA Transportation, a maior feira de veículos comerciais da Europa, realizada em Hannover, a nova geração do caminhão elétrico eTGX. O destaque é a autonomia: até 720 km com uma única carga, o suficiente, em tese, para cobrir os cerca de 700 km que separam São Paulo de Florianópolis sem passar por um ponto de recarga. Em condições reais de operação, a MAN promete mais de 600 km — um recado direto ao diesel em rotas de longa distância, ainda território dominado pela combustão.
O que mudou debaixo da carroceria
Foto: reprodução/solocamion.es
O ganho de autonomia vem de uma nova geração de baterias, que entrega cerca de 10% mais energia utilizável sem aumentar o peso do pacote nem reduzir a capacidade de carga útil do veículo — variável crítica para quem vive de frete. Na configuração 6x2, o eTGX recebe sete módulos de bateria somando 644 kWh brutos (616 kWh utilizáveis); a versão 4x2 chega a 660 km com seis módulos e 552 kWh. A dianteira também cresceu 12 cm, ajuste que a MAN aproveitou para melhorar aerodinâmica e segurança dentro dos limites de comprimento que a regulação europeia concede a veículos de zero emissão.
Recarga rápida entra no jogo
Desde julho, o eTGX já sai de fábrica com o conector MCS (Megawatt Charging System, padrão de recarga ultrarrápida para veículos pesados), suportando até 750 kW de potência. Na prática, isso permite recarregar a bateria de 20% a 80% em aproximadamente 30 minutos — tempo que coincide com a pausa obrigatória de descanso do motorista prevista em regulações europeias de jornada de trabalho. A MAN já iniciou a produção dos primeiros exemplares com a tecnologia.
Quem ganha e quem fica pra trás
O anúncio reforça a corrida das fabricantes europeias por caminhões elétricos de longo curso, um segmento que até pouco tempo era visto como o último bastião do diesel diante das limitações de autonomia e infraestrutura de recarga. Para transportadoras, a equação de custo operacional (TCO) começa a pesar a favor do elétrico em rotas fixas com paradas previsíveis. No Brasil, porém, o obstáculo segue sendo a infraestrutura: sem uma rede de recarga ultrarrápida como a MCS ao longo de rodovias como a BR-101, o feito de rodar de SP a Florianópolis sem plugue continua mais um exercício técnico do que uma realidade de frota.