
Manchas amareladas ao redor dos olhos podem sinalizar risco de infarto e derrame
Estudo da Universidade Stanford, uma das principais universidades de pesquisa dos Estados Unidos, acompanhou quase 36 mil pessoas e encontrou incidência maior de eventos cardiovasculares em quem tem xantelasma.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: são manchas discretas, do tamanho de uma lentilha pequena, que muita gente confunde com sinal de idade ou simples acúmulo de gordura na pálpebra — mas que, segundo um novo estudo, podem carregar um recado sobre o coração.
O que foi confirmado
Pesquisadores da Universidade Stanford, uma das principais universidades de pesquisa dos Estados Unidos, estudaram a xantelasma, condição em que placas amareladas se formam ao redor dos olhos quando células de defesa do organismo acumulam colesterol e gordura na região. O estudo comparou 17.925 pessoas com xantelasma a um grupo de controle de mesmo tamanho, formado por pacientes com presbiopia que passaram por exames oftalmológicos de rotina. A pesquisa foi publicada na revista científica Atherosclerosis.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Os números do primeiro ano de acompanhamento mostram uma diferença expressiva: entre quem tinha xantelasma, a incidência de infarto foi de 1%, contra 0,35% no grupo de controle; a de AVC (acidente vascular cerebral) foi de 0,95%, contra 0,3%; e a de AIT (ataque isquêmico transitório, uma espécie de "aviso" de AVC que passa rápido) foi de 0,6%, contra 0,19%. O risco maior se manteve nas marcas de cinco e dez anos de acompanhamento, ainda que a diferença entre os grupos tenha diminuído um pouco com o tempo.
O que ainda é hipótese
Aqui vale o alerta que os próprios pesquisadores fazem: a xantelasma não é apontada como causa de infarto ou derrame. O estudo mostra associação, não uma relação de causa e efeito comprovada. Inclusive, os cientistas observaram algo que chamou atenção: a taxa de eventos cardiovasculares entre os portadores de xantelasma permaneceu praticamente igual independentemente de a pessoa apresentar ou não níveis de colesterol considerados altos nos exames de sangue tradicionais. Isso sugere que a mancha pode estar sinalizando um processo inflamatório ou metabólico mais amplo, não capturado pelos exames de rotina — mas essa é uma leitura ainda em aberto, que outros estudos precisam confirmar.
Por que prestar atenção
A equipe de Stanford defende que a xantelasma pode funcionar como um marcador clínico visual simples, útil para triagem de risco cardiovascular, especialmente porque é percebida a olho nu, sem exame algum. Não substitui avaliação médica nem exames de rotina, mas é um sinal que, segundo o estudo, não deveria ser ignorado como puramente estético.