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MercadoIA19 de set. de 2026, 11:00

Manus busca US$ 500 mi a valuation de US$ 4 bi após romper com a Meta

A startup chinesa de agentes de IA negocia uma rodada que dobraria sua avaliação em relação ao acordo com a Meta, bloqueado pelo governo chinês em abril. Se fechar, a Manus pode virar a startup de IA agêntica mais valiosa da China.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 4 bilhões: o número que a Manus quer validar no mercado

A Manus, startup chinesa de agentes de inteligência artificial que ficou conhecida por automatizar tarefas como codificação, criação de sites, apresentações e geração de vídeo, está negociando uma rodada de US$ 500 milhões a uma avaliação de US$ 4 bilhões. O número representa o dobro do valor atribuído à empresa em dezembro de 2025, quando ela topava ser comprada pela Meta por mais de US$ 2 bilhões — negócio que nunca saiu do papel.

Do acordo com a Meta ao veto do governo chinês

A fusão com a Meta foi barrada em abril de 2026 pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, órgão regulador que citou violações a controles de exportação e a regras de investimento estrangeiro para travar a operação. Na prática, Pequim não quis ver uma tecnologia de IA relevante migrar para uma rival geopolítica. Com o desfazimento do acordo, investidores recompraram participações e a Manus foi reavaliada em torno de US$ 2 bilhões antes de retomar operações independentes em setembro.

Quem ganha e quem perde

A nova rodada, que segundo o noticiário deve fechar em breve, colocaria a Manus na dianteira entre as startups chinesas de agentes de IA em valor de mercado. Entre os investidores em conversação estão a IDG Capital, gestora chinesa de venture capital, a Boyu Capital, private equity também sediada na China, e a Contemporary Amperex Technology, maior fabricante de baterias do mundo, além de nomes que já estavam na cap table, como Tencent, HSG, gestora de private equity, e Zhenfund, fundo de venture capital. Para os acionistas que permaneceram após o rompimento com a Meta, o movimento significa reaver perdas de papel: a avaliação salta de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões em poucos meses. Já quem vendeu na recompra ficou de fora da valorização.

Faturamento e próximo capítulo

À época do acordo com a Meta, a Manus já registrava receita anual recorrente acima de US$ 100 milhões, um patamar que ajuda a justificar o apetite de investidores por uma rodada que dobra o valuation em menos de um ano. O passo seguinte cogitado pela empresa é uma reestruturação societária mirando um IPO em Hong Kong, movimento que sinaliza a aposta em capitalizar sobre o apoio doméstico depois do baque regulatório com os americanos. Para o mercado de IA agêntica, o caso Manus ilustra como geopolítica tecnológica entre China e Estados Unidos pode redesenhar — e até turbinar — o valor de uma startup em tempo recorde.

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