
Mapa? Não: 90% dos brasileiros priorizam internet em viagens
Pesquisa da Airalo com 502 brasileiros mostra que 90% consideram a internet item necessário de segurança em viagens ao exterior, e 52% já passaram por situação desconfortável por falta de conexão.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
90% dos brasileiros que viajam para o exterior consideram a conexão móvel item necessário para se sentir seguro durante a viagem — um índice acima da média global de 80%, segundo levantamento da Airalo, marketplace internacional de eSIMs para viajantes. O dado reforça uma mudança de comportamento: internet deixou de ser conveniência e virou pré-requisito de segurança, na frente até do mapa físico ou do roteiro impresso.
O número que dói: 52%
Mais da metade dos brasileiros entrevistados (52%) já passou por uma situação desconfortável ou insegura no exterior por falta de internet. Desse grupo, 33% relata que isso aconteceu uma ou duas vezes, e 19% diz que o problema se repetiu várias vezes. Não é imprevisto raro — é padrão recorrente de quem viaja.
A pesquisa por trás do número
O levantamento "Safe When Travel", conduzido pela Airalo em parceria com o instituto YouGov, ouviu 502 brasileiros que viajaram ao exterior nos últimos dois anos, com coleta entre 5 e 24 de agosto de 2026. A amostra faz parte de um estudo maior, que cobriu nove mercados: Brasil, Estados Unidos, México, Alemanha, Canadá, Reino Unido, Itália, França e Austrália.
Entre esses países, o Brasil lidera o índice de ansiedade por falta de internet em viagem internacional, com nota 8,22 em uma escala de até 10 — acima do México (7,22), da Itália (6,69) e dos Estados Unidos (6,44).
Conexão como moeda de decisão de viagem
Os números mostram que a internet influencia até o destino escolhido: 81% dos brasileiros afirmam que a garantia de conexão estável aumentaria a chance de visitar um lugar que hoje evitam por questões de segurança. Já 60% relatam ter usado ferramentas de segurança (como compartilhamento de localização em tempo real) justamente por contar com conexão constante — proporção que sobe para 63% entre mulheres e 68% entre pessoas LGBTQIA+, grupos que associam mais fortemente conectividade a proteção pessoal.
Quem ganha e quem perde
O cenário favorece diretamente provedores de eSIM e conectividade internacional como a própria Airalo, que usam o estudo para vender a tese de que dado móvel é infraestrutura de segurança, não luxo turístico. Operadoras tradicionais de roaming, com preços mais altos e ativação mais burocrática, tendem a perder espaço para soluções de eSIM avulso, compradas antes mesmo do embarque. Do outro lado, quem perde é o próprio viajante desprevenido: com mais da metade da amostra já relatando aperto por falta de sinal, ficar sem plano de conectividade internacional deixou de ser risco tolerável e passou a pesar diretamente na experiência — e na segurança — da viagem.