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Mercado31 de ago. de 2026, 20:57

MapQuest dispara ao nº 1 em apps de navegação ao ignorar Trump

Ao recusar renomear o Lago Ontário para "Lago América", como pediu Trump, a MapQuest viu seus downloads semanais saltarem 10 vezes e assumiu a liderança nos EUA — enquanto o Google Maps, que aceitou a mudança, vira alvo de críticas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: nº 1

A MapQuest voltou ao topo. Depois de recusar publicamente renomear o Lago Ontário para "Lago América" — nome imposto por uma ordem executiva do presidente Donald Trump em agosto de 2026 —, o aplicativo assumiu a posição nº 1 entre os apps de navegação nos Estados Unidos. Na App Store americana, chegou ao 4º lugar geral (excluindo jogos) e ao 8º lugar somando apps e jogos. No Canadá, foi ainda mais longe: 2º lugar geral na loja.

Os números por trás da escalada são expressivos. Na semana de 24 de agosto, a MapQuest registrou 184 mil downloads globais, alta de 10 vezes em relação ao período anterior; só nos EUA foram 162 mil downloads, também um salto de 10x. Entre 26 e 30 de agosto, os downloads diários cresceram 128%. A empresa afirma que o uso do app chegou a ficar 50 vezes acima do normal.

Quem ganha: uma marca de 30 anos que virou símbolo

A decisão, anunciada em 27 de agosto, transformou a MapQuest — fundada há três décadas e hoje pouco lembrada diante de gigantes como Google Maps e Waze — em símbolo de resistência cultural. Segundo Doug Berger, gerente-geral da MapQuest, a empresa repetiu a estratégia usada quando o governo Trump renomeou o Golfo do México: "Fomos parte da conversa e demos às pessoas um app que mantém os nomes que elas já conhecem", disse, em declaração citada por veículos que cobriram o caso. A empresa também lançou uma ferramenta que permite ao usuário baixar mapas com nomes personalizados para o lago — uma forma de transformar a polêmica em produto.

Quem perde: o desgaste do Google Maps

Do outro lado, o Google Maps decidiu seguir a ordem presidencial e passou a exibir "Lago América" para usuários nos EUA, alegando que a atualização reflete fontes oficiais do governo americano. A postura, no entanto, rendeu à gigante críticas de usuários que viram na mudança uma submissão política — e empurrou parte desse público direto para a concorrente. O episódio evidencia como uma decisão de nomenclatura, aparentemente simples, virou vantagem competitiva mensurável para quem optou por não seguir a ordem, em um mercado de navegação dominado havia anos pelos mesmos players.

Para a MapQuest, o desafio agora é converter a onda de downloads em usuários recorrentes — o verdadeiro teste de qualquer pico impulsionado por um momento viral.

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