
Markiplier compra 8,5% da GoPro e vira maior acionista da empresa
O youtuber Mark Fischbach adquiriu uma fatia de 8,5% da GoPro, tornando-se o maior acionista individual da fabricante de câmeras. A ação disparou 22% após o anúncio, mas a empresa segue em situação financeira delicada.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
8,5% e o título de maior acionista
Mark Fischbach, o youtuber conhecido como Markiplier, comprou uma participação de 8,5% na GoPro e passou a ser o maior acionista individual da fabricante de câmeras de ação. A notícia derrubou qualquer dúvida sobre o apetite do criador de conteúdo por diversificar seus negócios: na sequência do anúncio, as ações da GoPro dispararam 22% em um único pregão, fechando a $0,73.
Uma empresa em queda livre
O salto de 22% precisa ser lido com cautela. Antes do movimento, o papel da GoPro já acumulava uma queda de 57% no ano. A empresa vale hoje cerca de $110 milhões em bolsa — uma fração do que já valeu em seus melhores momentos como sinônimo de câmera de ação. Os números do último trimestre expõem o tamanho do problema: receita de $104,93 milhões, queda de 31,3% na comparação anual, prejuízo de $51 milhões e apenas 291 mil câmeras vendidas, 38% a menos que no período anterior. A companhia já cortou 23% do quadro de funcionários em 2026, e a própria gestão reconheceu formalmente "dúvida substancial" sobre a continuidade das operações — o tipo de alerta que aparece em balanços quando o risco de insolvência está na mesa.
Por que Markiplier apostou na GoPro
Fischbach justificou a compra como uma aposta de convicção: "vi a ação e onde ela estava, e pensei que parecia subvalorizada". Ele também enquadrou o investimento dentro de um objetivo maior, o de tornar o audiovisual mais acessível para criadores independentes — discurso que ganha peso depois do sucesso de "Iron Lung", seu primeiro longa como diretor, financiado com recursos próprios e que arrecadou dezenas de milhões de dólares nas bilheterias com um orçamento de apenas $3 milhões.
O que isso significa para a GoPro
Para a GoPro, o aporte de um investidor com peso de mídia e capital para movimentar o mercado é, no mínimo, um respiro. Mas comprar ações não resolve os problemas estruturais da empresa: queda de vendas, concorrência de smartphones cada vez mais capazes de gravar em condições extremas e um modelo de negócio que não encontrou um novo pico de demanda desde a era de ouro dos vlogs de aventura. Markiplier vira o maior nome individual na base acionária, mas o desafio de reverter quatro trimestres seguidos de contração continua nas mãos da diretoria da GoPro.