
Marvel's Wolverine: vale o preço? Erros e acertos do jogo da Insomniac
Depois de 17 anos sem um game solo, Wolverine chegou ao PS5 com gráficos elogiados e combate afiado, mas também linearidade excessiva e uma guerra de notas nas plataformas de avaliação. A gente separa o que compensa e o que decepciona.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Um Wolverine que a gente esperava há 17 anos
Depois de quase duas décadas sem um jogo solo dedicado a ele, Logan finalmente ganhou seu protagonismo em Marvel's Wolverine, desenvolvido pela Insomniac Games — o mesmo estúdio, hoje parte da PlayStation Studios, por trás da dupla Marvel's Spider-Man. E olha, a expectativa era gigante: depois do sucesso com o Homem-Aranha, dava pra imaginar que os X-Men finalmente teriam a chance de brilhar em um AAA de peso. Só que a recepção mostrou que nem tudo saiu como o público sonhava.
Os acertos que seguram o jogo
Foto: reprodução/thegamer.com
O visual é, sem dúvida, o ponto mais elogiado: o próprio Canaltech destaca que o "primor gráfico" do título é "difícil de se criticar". O combate também convence em partes — principalmente nas sequências de memória, que sobem a dificuldade e obrigam o jogador a pensar em combinações mais elaboradas. E existe um mérito estratégico aqui: o jogo abre caminho para que outros mutantes ganhem produções de peso no futuro.
Onde a coisa aperta
Agora, os problemas pesam. A estrutura é linear demais, sem o tipo de liberdade exploratória que a Insomniac já mostrou dominar em outros projetos. O combate, apesar de bonito, reaproveita fórmulas batidas — a comparação com o estilo Batman: Arkham voltou com força nas críticas. Tem também escolha de tom questionável: um Logan "bonzinho" nas cenas com Jean Grey destoa do personagem violento e atormentado que os fãs conhecem. E teve gente incomodada com excesso de efeitos visuais na tela, como caixas pulsantes e rastros que mais atrapalham do que ajudam a leitura da ação.
E o preço vale a pena?
Aqui é onde a comunidade se dividiu de verdade. No Metacritic, o jogo fechou com Metascore por volta de 77-78, abaixo de outros títulos da própria Insomniac — um resultado visto como decepcionante para o histórico do estúdio. A GameSpot resumiu bem o sentimento geral: "Wolverine pode ser o melhor no que faz, mas o que ele faz não deixou os desenvolvedores da Insomniac serem os melhores no que fazem".
Do lado dos jogadores, a bagunça foi ainda maior. A nota de usuários despencou em meio a uma verdadeira guerra de avaliações, com notas 0 e 10 sendo despejadas lado a lado — parte por críticas legítimas (excesso de assistência, baixa dificuldade fora das memórias, trechos cinemáticos com pouca interatividade) e parte por review bombing motivado por polêmicas culturais fora do próprio jogo. Resultado: um público dividido, com média de usuários oscilando na casa dos 6,5.
No fim das contas, dá pra dizer que Marvel's Wolverine entrega uma experiência tecnicamente competente e visualmente impressionante, mas que peca em ousadia. Para quem é fã inconteste do personagem, o game cumpre a promessa de um estrelato solo. Para quem espera o nível de polimento visto em Spider-Man 2, a sensação é de oportunidade parcialmente desperdiçada.