tech & talk
Mercado03 de nov. de 2026, 09:38

Marvell compra Lumentum por US$ 115 bi em uma das maiores fusões da história

A fabricante de chips Marvell fechou acordo totalmente em ações para adquirir a Lumentum, especialista em componentes ópticos, por US$ 115 bilhões incluindo dívida — negócio que tem a Nvidia como acionista de ambas as partes.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

US$ 115 bilhões: o maior cheque de M&A de 2026

US$ 115 bilhões é o valor total — incluindo dívida — que a fabricante de chips Marvell vai pagar pela Lumentum, especialista em componentes ópticos para data centers, em uma operação totalmente em ações fechada nesta segunda-feira (2/11). Na prática, a transação atribui à Lumentum um valor de equity de aproximadamente US$ 102,5 bilhões, com os acionistas da empresa recebendo 4,5 ações da Marvell para cada ação que possuem — o equivalente a cerca de US$ 1.132 por papel, um prêmio de 23,9% sobre o fechamento de 28 de outubro.

Para calibrar a régua: a aquisição supera com folga negócios históricos como a compra da Activision Blizzard pela Microsoft, de US$ 68,7 bilhões em 2022, e a fusão entre Dell e EMC, de US$ 67 bilhões em 2016. Segundo a Bloomberg, é o maior negócio de fusões e aquisições de 2026.

O fio condutor é a Nvidia

O que conecta as duas empresas vai além da lógica de negócios: a Nvidia é acionista estratégica de ambas. Em março de 2026, a fabricante de GPUs investiu US$ 2 bilhões na Lumentum para turbinar sua tecnologia óptica, e, no mesmo mês, aportou outros US$ 2 bilhões na Marvell para reforçar o portfólio de conectividade óptica da empresa. A fusão consolida esse elo: a Marvell projeta um mercado endereçável combinado de US$ 550 bilhões, abrangendo desde chips personalizados até a infraestrutura óptica que liga servidores dentro dos data centers de IA.

A Lumentum não é uma marca de consumo, mas tem papel central na infraestrutura por trás da corrida de IA: fabrica transceptores ópticos de alta velocidade e lasers usados para conectar servidores em data centers, com capacidade de produção esgotada até o início de 2029, segundo a própria empresa, por conta da demanda represada do setor.

Quem ganha, quem fica de olho

No fechamento do acordo, as ações da Marvell recuaram cerca de 3% e as da Lumentum caíram 6%, uma reação comum em fusões totalmente em ações, quando o mercado pondera diluição e riscos de integração. Em compensação, a Coherent, concorrente direta da Lumentum em componentes ópticos, subiu 2% — sinal de que investidores veem espaço para ela ganhar fatia de mercado enquanto as duas rivais se fundem. Na divisão da empresa combinada, os acionistas da Marvell ficarão com cerca de 67% do capital, e os da Lumentum, com 33%.

O negócio ainda depende de aprovação dos acionistas das duas companhias e dos órgãos reguladores, com fechamento previsto para o primeiro semestre de 2028 — um prazo longo que mostra o tamanho do escrutínio antitruste que a operação deve enfrentar, dado o peso crescente da dupla na cadeia de suprimentos de IA.

marvelllumentumnvidiafusões e aquisiçõesia
Compartilhar