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MercadoSmart Cities09 de set. de 2026, 23:27

Massachusetts exige energia limpa de data centers acima de 25 MW

A governadora Maura Healey assinou ordem executiva que obriga data centers com mais de 25 megawatts de demanda a bancar 100% de energia limpa ou pagar em um fundo de proteção ao consumidor, tornando o estado o terceiro em três meses a apertar o cerco ao setor.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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25 megawatts é a nova linha de corte

A governadora de Massachusetts, Maura Healey, assinou em 8 de setembro uma ordem executiva que muda o jogo para quem quer construir data center no estado: qualquer instalação com demanda de pico acima de 25 megawatts terá de garantir energia limpa suficiente para cobrir 100% do próprio consumo — ou pagar para isso. É um patamar de exigência bem mais duro que a meta geral de energia limpa do estado, que prevê mínimo de 40% de renováveis até 2030 para o sistema elétrico como um todo.

Como funciona a conta

A regra dá preferência a geração própria no local. Quem não conseguir bancar isso terá que financiar construção de nova geração limpa nas proximidades ou contribuir para um fundo a ser criado até o fim de 2026, batizado de Ratepayer Protection Fund. O dinheiro arrecadado por esse mecanismo de "pagamento alternativo de conformidade" será usado para aliviar o custo da conta de luz de todos os consumidores do estado — um jeito de fazer os operadores de data center pagarem, na prática, pelo estresse que colocam na rede.

Aprovação da comunidade vira pré-requisito

A ordem também bloqueia agências estaduais de emitirem licenças para grandes projetos de data center sem que o desenvolvedor primeiro tenha aprovação da comunidade local, via acordo de benefícios comunitários. E fecha uma porta que incomodava ativistas: proíbe os órgãos estaduais de assinar acordos de confidencialidade com desenvolvedoras do setor, forçando mais transparência sobre os termos negociados.

Terceiro estado em três meses

Massachusetts entra numa fila que já inclui Texas, onde o governador Greg Abbott determinou em agosto que todo novo data center passe por auditoria da comissão de utilidades públicas e da operadora da rede, a ERCOT, e Nova York, que em julho suspendeu a construção de instalações com 50 megawatts ou mais. O padrão indica que o boom de data centers de IA passou a esbarrar em capacidade de rede elétrica e paciência política ao mesmo tempo.

Quem ganha e quem perde

Quem perde no curto prazo são as desenvolvedoras de data center com projetos represados em Massachusetts, que agora enfrentam custo de capital mais alto — ou capital extra para gerar energia limpa própria — antes de sair do papel. Quem ganha é o consumidor residencial, protegido por um fundo financiado pelo próprio setor que pressiona a conta de luz. A reação do mercado já apareceu: o super PAC pró-IA Leading the Future, financiado por nomes como Marc Andreessen, Ben Horowitz e Greg Brockman e que já levantou mais de US$ 140 milhões, tem investido em campanhas publicitárias para tentar virar a opinião pública contra esse tipo de regulação estadual antes das eleições de meio de mandato — sinal de que o setor entende a rodada de estados apertando as regras como ameaça direta ao ritmo de expansão da infraestrutura de IA nos EUA.

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