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Mercado19 de set. de 2026, 11:01

Mazama capta US$ 135 mi para perfurar geotermia a 3 milhas de profundidade

A startup apoiada pela Khosla Ventures quer usar rochas superaquecidas para gerar energia 24 horas por dia para data centers, com um poço capaz de produzir 15 MW sozinho.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

US$ 135 milhões. Foi o valor captado pela Mazama Energy, startup de geotermia incubada pela Khosla Ventures — fundo de risco do bilionário Vinod Khosla, conhecido por apostar cedo em tecnologias de energia limpa —, em uma rodada Series B que teve demanda maior do que a oferta de vagas. Lideraram a rodada a Centaurus Capital, do investidor John Arnold, e a Doerr Capital; ConocoPhillips e Shell Ventures entraram como novos investidores, ao lado do próprio Khosla e do fundo Gates Frontier, ligado a Bill Gates.

O que é "geotermia de rocha superaquecida"

A tecnologia da Mazama, batizada de "super-hot-rock geothermal", perfura rocha seca muito mais profunda e mais quente do que a geotermia tradicional, criando reservatórios artificiais por fraturamento. Nessas condições, a água vira um fluido supercrítico — um estado que não é nem líquido nem gás — capaz de carregar muito mais energia do que o vapor convencional. Segundo a empresa, um poço a 400°C pode gerar até dez vezes mais potência do que um poço convencional a 200°C.

Os números da perfuração

A empresa opera perto do vulcão Newberry, no Oregon (EUA), onde já perfurou um poço recorde de 10.350 pés — cerca de 3 milhas, ou 4,5 km, de profundidade. Um segundo poço, batizado Project Athena, chegou à mesma profundidade em apenas 15 dias, 80% mais rápido, avançando para temperaturas perto de 400°C. Em 2025, a Mazama já havia atingido 331°C, o recorde entre sistemas geotérmicos aprimorados construídos até hoje. A meta é chegar a 15 MW de geração por poço e a 200 MW no primeiro complexo até 2030 — com potencial de 10 GW no mesmo terreno, segundo a empresa.

Quem aposta nisso e por quê

A geotermia de rocha superaquecida promete algo raro no setor de energia limpa: geração contínua, 24 horas por dia, sem depender de sol ou vento — o tipo de fonte que data centers de IA, que não podem parar, mais precisam. "A energia é a restrição de tudo que estamos tentando construir nesta década", disse Khosla sobre o investimento. O projeto também recebe apoio do Departamento de Energia dos EUA, que financia testes de perfuração horizontal iniciados neste ano.

O que falta responder

A empresa ainda não informou quando o primeiro complexo comercial deve entrar em operação nem quanto vai custar a energia gerada por megawatt — o dado que vai definir se a tecnologia compete de fato com solar, eólica e gás natural em preço.

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