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MercadoIA15 de out. de 2026, 10:09

McKinsey testa cliente de IA para avaliar candidatos a estágio

A consultoria está pilotando uma conversa de 10 minutos com um avatar de IA simulando um cliente real em entrevistas para vagas de analista de negócios. Humanos continuam decidindo quem passa, mas a dinâmica já reproduz boa parte do trabalho de consultoria do dia a dia.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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10 minutos. É o tempo que candidatos a vagas de analista de negócios na McKinsey, uma das maiores consultorias de gestão do mundo, estão passando em conversa com um avatar de inteligência artificial que simula um cliente de verdade — enquanto avaliadores humanos observam a cena ao vivo, segundo reportagem do The Verge que cita o Wall Street Journal. A ideia é reproduzir, dentro da entrevista, a dinâmica real de um consultor tentando entender o problema de quem está pagando pela consultoria.

80% da conversa, 100% da decisão em mãos humanas

O avatar de IA já cobre cerca de 80% das interações que um consultor costuma ter com um cliente no mundo real, segundo a reportagem — uma fatia considerável do trabalho cotidiano da profissão. Mas a McKinsey fez uma escolha deliberada de design: o software não dá nota a ninguém. Humanos continuam na sala, ouvindo e decidindo o desempenho de cada candidato. A empresa parece estar respondendo a um medo comum entre candidatos: ser reprovado por um algoritmo que ninguém pode questionar ou contestar.

Projeto piloto, ainda sem escala total

O programa está em fase de teste com parte dos candidatos norte-americanos para posições de analista de negócios — ou seja, ainda não é a regra geral do processo seletivo da consultoria, mas um experimento que pode se espalhar caso os resultados sejam considerados bons pela empresa.

Quem ganha e quem perde nessa seleção

Para a McKinsey, a vantagem é escalar e padronizar uma etapa de entrevista que antes dependia inteiramente da disponibilidade de consultores seniores para simular um cliente — um recurso caro e escasso. Para os candidatos, o ganho em tese é uma avaliação mais consistente e repetível de como cada um reage sob pressão numa conversa de negócios. A tensão fica para quem historicamente se destacava em dinâmicas humanas mais informais e imprevisíveis. O episódio também entra numa discussão maior do mercado de trabalho: se empresas de consultoria já usam IA para treinar quem vai, no futuro, competir com — ou ser substituído por — sistemas de IA semelhantes, o que isso diz sobre o valor que o mercado está atribuindo ao trabalho humano de entrada de carreira.

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