
MediaTek já domina mais da metade dos celulares vendidos no Brasil
A fabricante taiwanesa chegou a 51,8% de participação no mercado brasileiro de chips para smartphones no primeiro semestre de 2026, ultrapassando a rival Qualcomm segundo dados da IDC.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que resume a disputa
Mais da metade dos celulares vendidos no Brasil hoje roda com um processador MediaTek dentro. A fabricante taiwanesa de chips e semicondutores fechou o primeiro semestre de 2026 com 51,8% de participação no mercado brasileiro de processadores para smartphones, segundo o IDC Quarterly Mobile Phone Tracker. No mesmo período de 2025, essa fatia era de 48,4% — um avanço de 3,4 pontos percentuais em um ano.
Quem ganha, quem perde
A matemática é simples: cada ponto percentual que a MediaTek soma é, via de regra, um ponto que sai do bolso da concorrência. A Qualcomm, fabricante americana que domina o segmento de chips Snapdragon para celulares topo de linha, segue como a principal rival direta, mas perde terreno no volume geral de aparelhos vendidos no país. Enquanto a MediaTek consolida a base da pirâmide — celulares de entrada e intermediários —, a Qualcomm mantém força relativa nos modelos premium.
O retrato das vendas no varejo reforça esse cenário: os cinco smartphones mais vendidos no Brasil no período usam chips MediaTek, sendo três modelos da Samsung e dois da Motorola, todos no segmento de entrada.
América Latina segue o mesmo roteiro
O movimento não é exclusividade brasileira. Na América Latina como um todo, a participação da MediaTek também cresceu, de 50% para 51,5%, na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026.
A aposta no segmento premium
Se a base já está conquistada, o próximo capítulo da disputa se desenha no topo da linha. A MediaTek tem expandido sua oferta de chips premium, como a família Dimensity, mirando aparelhos mais caros — território ainda dominado pela Qualcomm e seus processadores Snapdragon de ponta. Com a base do mercado praticamente consolidada, a verdadeira medida da disputa nos próximos semestres estará menos na quantidade de aparelhos vendidos e mais em quem convence o consumidor brasileiro a pagar mais caro por dentro do celular.