
Medo da IA entre brasileiros supera a média mundial, diz Pew
Levantamento do Pew Research Center com 42 mil pessoas em 37 países mostra 52% dos brasileiros mais preocupados que entusiasmados com a IA, ante mediana global de 37%.
Por Elias Brandão · Analista de IA e ética
O que a pesquisa mediu
O Pew Research Center, instituto de pesquisa americano conhecido por sondagens de opinião pública em dezenas de países, ouviu 42.151 pessoas em 37 países entre fevereiro e maio deste ano pra entender como cada população encara o avanço da inteligência artificial. O resultado: 52% dos brasileiros dizem estar mais preocupados do que entusiasmados com a tecnologia — bem acima da mediana global, de 37%.
Em bom português, isso quer dizer que o brasileiro médio olha pra IA com mais desconfiança do que a média do resto do mundo, mesmo em um país que costuma adotar tecnologia rápido. Não é um dado isolado: em 2025, a mesma pergunta já tinha registrado 48% de preocupação por aqui — ou seja, o receio cresceu, não diminuiu, de um ano pro outro.
Emprego é o medo mais concreto
Quando a pergunta é sobre trabalho, o desconforto fica ainda mais claro: 42% dos brasileiros acreditam que a IA vai reduzir o número de empregos nos próximos 20 anos, enquanto apenas 13% esperam que a tecnologia gere mais vagas do que elimina. É uma proporção de mais de três pra um entre pessimistas e otimistas quanto ao mercado de trabalho.
Por outro lado — e aqui está o outro lado da moeda que vale registrar —, parte considerável da população brasileira nem chegou a formar opinião: um quarto dos entrevistados afirma nunca ter ouvido falar da tecnologia. Ou seja, o medo não é universal; ele convive com um contingente relevante de gente que simplesmente está fora do radar do debate.
O que essa combinação revela
Juntando os dois dados, aparece um quadro mais complexo do que "brasileiro tem medo de IA": uma fatia do país já sente o peso da tecnologia — ou antecipa esse peso no emprego — enquanto outra fatia ainda nem foi apresentada ao assunto. A pesquisa não explica por que o medo brasileiro supera a média global, nem se essa desconfiança vai se traduzir em pressão por regulação, como já ocorre em outros países. Essa é a pergunta que fica pro próximo levantamento.