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Ciência11 de set. de 2026, 11:23

Menino desenvolve 'pele tostada' após usar notebook todos os dias no colo

Um pré-adolescente no Reino Unido teve o abdômen marcado por um padrão de "favo de mel" depois de manter um laptop carregando sobre a barriga por até oito horas diárias durante aulas em casa.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine passar até oito horas por dia, todos os dias, com um aparelho eletrônico ligado direto sobre a pele da barriga. Foi o que aconteceu com um pré-adolescente no Reino Unido, que acabou desenvolvendo uma condição batizada informalmente de "síndrome da pele tostada" — e o caso virou registro médico publicado no periódico científico BMJ Case Reports.

O que é confirmado pelo caso clínico

Segundo o relato de médicos do University Hospitals of Leicester NHS Trust, hospital público ligado ao sistema de saúde britânico, o garoto foi levado ao pronto-socorro com um padrão de manchas em formato de rede — parecido com um favo de mel — na pele do abdômen. A equipe de enfermagem inicialmente suspeitou de hematomas espontâneos. Duas semanas depois, o menino retornou com a lesão piorada, dolorida e com descamação localizada da pele.

Os médicos diagnosticaram eritema ab igne, também chamado de "síndrome da pele tostada", uma condição causada por exposição prolongada a calor moderado que danifica pequenos vasos sanguíneos próximos à superfície da pele. Segundo o histórico levantado pelos clínicos, o menino tinha o hábito de apoiar o notebook diretamente sobre a barriga por até oito horas diárias durante o período de ensino domiciliar, e o aparelho ainda estava sendo carregado ao mesmo tempo — o que, segundo os autores, adicionou calor extra ao contato prolongado.

Os autores do estudo, a clínica geral Mara Znagoveanu e o pediatra Edward Artley, destacam a importância de considerar esse diagnóstico diferencial diante de padrões de manchas em forma de rede em crianças, para não confundir com hematomas ou outras condições dermatológicas.

O que é observação, não regra geral

O prognóstico do caso relatado foi bom: a síndrome não é considerada perigosa, e as alterações de cor tendem a desaparecer assim que a fonte de calor é removida. Em contato telefônico meses depois, o pai do menino confirmou aos médicos que a marca havia sumido. Isso não significa, porém, que o risco seja sempre reversível ou irrelevante — a literatura médica também registra casos de eritema ab igne crônico associados a uso prolongado de notebooks em adultos, com risco, embora raro, de alterações mais duradouras na pele em exposições muito prolongadas ao longo de anos.

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