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Smart CitiesIA16 de out. de 2026, 10:17

Menos de 1 em cada 5 governos locais dos EUA tem regra formal para uso de IA

Pesquisa com mais de 800 profissionais de TI do setor público americano e britânico mostra que a confiança na adoção de inteligência artificial está muito na frente dos controles reais. Resultado: quase 80% dizem estar seguros, mas só 37% têm uma governança ativa de fato.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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A confiança corre na frente do controle

Se depender da opinião dos próprios gestores de TI, a adoção de inteligência artificial nos governos americanos vai bem. Mas quando a pergunta é sobre regras formais e fiscalização, o quadro muda: menos de 20% dos profissionais de TI de governos estaduais e municipais dos Estados Unidos afirmam ter um framework formal de governança de IA em vigor, segundo levantamento divulgado pelo site Smart Cities Dive, publicação americana especializada em cidades inteligentes.

A pesquisa foi conduzida pela consultoria UserEvidence a pedido da SolarWinds, fornecedora de software de monitoramento e gestão de TI, e ouviu mais de 800 profissionais e líderes de tecnologia do setor público nos Estados Unidos e no Reino Unido. O relatório, batizado de "Racing to Deploy", foi divulgado no final de setembro de 2026.

O contraste que preocupa

O número mais chamativo: quase 80% dos líderes de TI do setor público dizem que a adoção de IA em suas instituições está alinhada ao planejamento de supervisão. Só que, na prática, apenas 37% têm um framework de governança formal e efetivamente aplicado no dia a dia — e quando a SolarWinds cruzou três critérios básicos (framework formal e fiscalizado, adesão consistente dos funcionários e políticas de segurança específicas para IA), apenas 10% das organizações pesquisadas cumpriam os três ao mesmo tempo.

O uso da tecnologia, enquanto isso, já é rotina: 77% dos respondentes afirmam que seu órgão usa ou está testando ferramentas de IA generativa, como Copilot, ChatGPT ou Gemini. E 35% admitem estar afrouxando restrições de segurança ou de compliance justamente para facilitar o acesso dos funcionários a essas ferramentas — uma escolha que, segundo o levantamento, tem relação com o aumento relatado em incidentes de segurança ligados a IA.

Travis Galloway, consultor sênior de assuntos governamentais da SolarWinds, resumiu o achado: a confiança na governança de IA está correndo bem na frente dos controles que as agências públicas realmente têm em vigor.

A pergunta que fica para o cidadão brasileiro

O levantamento é americano e britânico, mas a lição vale para qualquer prefeitura ou órgão estadual brasileiro que esteja testando chatbots, sistemas de triagem ou ferramentas de decisão automatizada: antes de perguntar "qual IA vamos usar", caberia perguntar "quem aprova o uso, quem auditoria o resultado e o que acontece quando o sistema erra". Sem essa resposta, a adoção tecnológica anda na frente da responsabilidade — exatamente o que a pesquisa flagrou nos EUA.

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