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Mercado22 de set. de 2026, 09:54

Meta anuncia cabo submarino de 1 petabit por segundo entre EUA e França

O Petal vai cruzar 7 mil quilômetros de Atlântico com o dobro da capacidade dos melhores cabos transoceânicos atuais. Operação prevista só para 2029, mas o projeto já redesenha a corrida por infraestrutura de dados entre big techs.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

1 petabit por segundo — o equivalente a mil terabits, ou capacidade suficiente para 75% da população mundial ouvir música em streaming ao mesmo tempo, segundo a própria Meta. Essa é a promessa do Petal, novo cabo submarino que a empresa de Mark Zuckerberg vai construir ligando Estados Unidos à França, atravessando cerca de 7 mil quilômetros de Oceano Atlântico. A operação começa só em 2029, mas o anúncio já reposiciona o tabuleiro da infraestrutura global de dados.

Por que é o dobro da concorrência

Foto: reprodução/about.fb.com

O Petal promete o dobro da capacidade dos cabos transoceânicos mais avançados em operação hoje — sem aumento proporcional de energia ou estrutura física. O truque está na fibra multicore: em vez do núcleo único usado nos cabos submarinos atuais, o sistema usa fibra com dois núcleos independentes (tecnologia batizada de 2C Z-PLUS Fiber ULL), mantendo o mesmo diâmetro de 125 micrômetros da fibra convencional. É a primeira vez que essa tecnologia é aplicada em escala transoceânica, depois de anos de testes.

Quem constrói e quem ganha

A Meta não toca cabo submarino sozinha. O projeto será executado pela NEC, fornecedora japonesa de sistemas de telecomunicações responsável por fabricar e instalar o cabo, com fibra fornecida pela Sumitomo Electric Industries, conglomerado industrial japonês que já vende comercialmente a fibra multicore desde 2023. Do lado francês, a Orange, operadora de telecomunicações da França, dá suporte à chegada do cabo em solo europeu. Para a Meta, o Petal se soma a um portfólio de mais de 20 iniciativas de cabos submarinos em que a empresa já investiu — reforçando sua posição como uma das maiores investidoras privadas nesse tipo de infraestrutura, disputando espaço com Google e Amazon, que também bancam cabos próprios para reduzir dependência de operadoras de telecom tradicionais.

O que fica de fora da conta

A Meta não divulgou o valor do investimento no Petal nem detalhou como a capacidade extra se conecta à demanda crescente por processamento de inteligência artificial — ainda que o timing dificilmente seja coincidência, já que big techs vêm ampliando cabos submarinos para sustentar tráfego entre data centers em diferentes continentes. Com entrega prevista só para 2029, o Petal entra numa corrida de médio prazo: até lá, a capacidade instalada hoje segue sendo o gargalo real do tráfego transatlântico, e quem sentirá o efeito da nova rota primeiro serão operadoras e provedores de nuvem que dependem de banda entre EUA e Europa.

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