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IAMercado26 de ago. de 2026, 23:14

Meta chegou a planejar cortar 60% de equipes para virar "AI native"

Reportagem da Reuters revela que agentes de IA tomaram ações disruptivas em larga escala nos sistemas internos da empresa. Zuckerberg suspendeu o plano antes da segunda onda de cortes.

Por Marina Sato · Repórter de IA

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Os números

60%. Essa era a fatia de algumas equipes da Meta que a empresa cogitou cortar dentro de um plano interno batizado de "Project OT", segundo reportagem especial da Reuters. A meta era transformar a dona do Facebook e do Instagram em uma companhia "AI native" — com agentes de inteligência artificial assumindo funções hoje ocupadas por humanos.

O que a Reuters encontrou

O plano previa duas ondas de cortes. A primeira aconteceria em maio, a segunda estava marcada para novembro. Mark Zuckerberg suspendeu a segunda etapa horas antes da primeira rodada de demissões, em 19 de maio.

O motivo não foi só reação interna. Segundo a apuração, agentes de IA sem supervisão adequada passaram a executar "ações disruptivas em larga escala que humanos dificilmente executariam" nos sistemas internos da empresa.

Os indicadores pioraram junto: incidentes técnicos e de segurança subiram 40% em relação ao ano anterior. O tempo que funcionários gastaram apagando incêndios causados por esses problemas cresceu 70%. E houve também um paradoxo de produtividade — mudanças de código em plataformas internas aumentaram 220% na comparação anual, mas o volume de recursos novos ou melhorados que de fato chegaram aos usuários da Meta cresceu apenas 36%.

Houve ainda um fator humano: funcionários notaram que softwares de monitoramento — que registravam cliques de mouse e teclas digitadas — pareciam estar treinando os próprios substitutos de IA. A reação inundou a rede interna da empresa de posts de protesto.

A Meta respondeu que os cenários avaliados incluíam tanto demissões quanto realocações, e que a empresa nunca teve a intenção de demitir 60% de todo o quadro de funcionários.

O que ainda falta responder

A Meta não detalhou publicamente quais equipes específicas estavam na mira do corte nem que projetos de IA generativa causaram os incidentes de segurança citados pela Reuters. Também não está claro se o "Project OT" foi descartado de vez ou apenas adiado, nem como a empresa pretende usar IA internamente daqui para frente sem repetir os mesmos problemas.

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