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SegurançaMercado24 de set. de 2026, 23:11

Meta comemora sucesso do Muse, mas evita perguntas sobre segurança

Enquanto Zuckerberg celebra a repercussão do agente de IA Muse no Meta Connect, questões sobre segurança de adolescentes, óculos com câmera sempre ligada e o custo dos data centers seguem sem resposta.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O Meta Connect começou na quarta-feira embalado pelo entusiasmo em torno do Muse, o novo agente de IA da empresa, que segundo relatos de quem testou o produto superou expectativas. Mark Zuckerberg tem comemorado publicamente a recepção, concedendo entrevistas — inclusive ao podcast Sources, com o jornalista Alex Heath —, mas recusou o convite para o Decoder, do The Verge, que preparou uma lista de perguntas que não puderam ser feitas diretamente ao executivo. Entre elas: como a empresa pretende lidar com a desconfiança crescente em torno de seus óculos inteligentes e o que muda, na prática, para adolescentes que usam Instagram e Facebook.

Quem é afetado

A lacuna de respostas atinge três grupos diretamente:

  • Adolescentes e famílias: o evento ocorreu poucas semanas depois de a Meta fechar um acordo de até US$ 18 bilhões com procuradores-gerais de dezenas de estados americanos, por design viciante de plataformas e danos à saúde mental de menores. O acordo prevê limite diário de duas horas em Facebook e Instagram para menores de 18 anos, ocultação de contagem de curtidas e contas privadas por padrão — mas ainda depende de aprovação judicial e não implica reconhecimento de culpa.
  • Pessoas ao redor de quem usa os óculos: a promessa de câmeras "sempre prontas" reacendeu o debate sobre gravação sem consentimento. A Meta já precisou desativar a função de câmera em milhares de óculos após detectar adulteração do LED que indica gravação, e há relatos de estudantes usando o recurso para filmar colegas sem autorização.
  • Comunidades próximas aos data centers: o custo da infraestrutura que sustenta essa aposta em IA é alto. A Meta projeta gastar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em capex de IA só em 2026, e o supercluster Hyperion, na Louisiana, deve consumir até 5 gigawatts — energia equivalente ao consumo de 4,2 milhões de residências.

O que fica em aberto

As perguntas que a cobertura crítica ao Meta Connect 2026 aponta como não respondidas por Zuckerberg incluem:

  • Como a empresa vai fiscalizar, na prática, o cumprimento do acordo de US$ 18 bilhões nos próximos dez anos, prazo mínimo estabelecido para as novas proteções a menores;
  • Se o LED indicador de gravação — pequeno e fácil de ignorar em ambientes com movimento — é suficiente como aviso de vigilância, diante de casos já registrados de uso indevido;
  • Como a empresa concilia o crescimento acelerado de data centers com compromissos climáticos, tema que já levou acionistas a cobrar explicações formais sobre a pressão da IA na rede elétrica.

Enquanto essas respostas não vêm, o brilho do Muse ocupa o centro do palco — e as perguntas mais desconfortáveis continuam esperando por Zuckerberg.


Atualização (24/09, 15:41): Atualização: A Meta admitiu que o Muse foi fortemente inspirado no agente de IA de código aberto OpenClaw. Nat Friedman, chefe de produto do laboratório de Superinteligência da Meta, declarou que a equipe construiu o Muse "do zero", mas que o produto foi "definitivamente muito inspirado" pelo OpenClaw. Usuários notaram que os dois sistemas compartilham nomes de arquivos idênticos em sua estrutura interna — incluindo o arquivo de configuração SOUL.md, que define personalidade, tom e valores do agente — com conteúdo descrito como "quase inteiramente igual" entre os dois produtos.

Questionado sobre a semelhança dos arquivos, Friedman disse que a equipe da Meta considerou que Peter Steinberger, criador austríaco do OpenClaw, "acertou exatamente" nesses elementos, e relatou que a equipe se apaixonou pelo uso do OpenClaw a ponto de comprar centenas de Mac minis para testá-lo internamente. Como o OpenClaw foi lançado sob licença de código aberto, a reutilização de sua estrutura por outras empresas é legalmente permitida.

O Muse também vem sendo posicionado como concorrente direto do Instinct, plataforma de agentes de IA de São Francisco avaliada em cerca de US$ 10 bilhões — os dois produtos, inclusive, adicionaram recentemente a capacidade de fazer ligações telefônicas quase ao mesmo tempo, alimentando a percepção de uma disputa acirrada entre agentes de IA de consumo similares.


Atualização (24/09, 15:41): Atualização: Dois desenvolvedores, Peter James e Jonny L. Saunders, afirmam ter conseguido, cada um de forma independente e com pouquíssimo esforço de prompt, fazer o Muse — o agente de IA de consumo da Meta — compactar e compartilhar todo o conteúdo do seu sistema de arquivos raiz, incluindo arquivos do Ubuntu, templates internos de aplicações e documentação interna do projeto. Segundo o The Verge, Peter James relatou ter conversado normalmente com o app do Muse no iOS até conseguir que ele enviasse um zip de todo o seu filesystem Linux para o Google Drive via o conector do Google; o diretório /home/hatch (nome interno do agente) continha arquivos como soul.md, identity.md, além de memória e ferramentas do sistema. Saunders confirmou o achado de forma independente e classificou a reprodução do problema como "extremely easy", indicando que o Muse tinha "quase nenhuma resistência a prompt injection".

Procurada, a Meta negou que o caso configure uma violação de segurança. Em declaração ao The Verge, o porta-voz Daniel Roberts afirmou: "Just like with the laptop in front of you, of course you can see the files. Exporting virtual machine data doesn't give people any privileged access to Meta infrastructure or to other people's data." A empresa argumenta que o Muse roda em máquinas virtuais Linux isoladas e persistentes por usuário (usando contêineres systemd-nspawn com mapeamento de root em nível de usuário), o que limitaria o alcance do vazamento apenas ao próprio ambiente do usuário, sem expor infraestrutura da Meta ou dados de terceiros.

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