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MercadoIA23 de out. de 2026, 10:15

Meta cria ação sem voto para bancar IA e blindar poder de Zuckerberg

A Meta aprovou uma nova classe de ações sem direito a voto, a Class C, para levantar capital para sua expansão em inteligência artificial sem diluir o controle de Mark Zuckerberg. A medida veio junto do balanço do terceiro trimestre de 2026, que mostrou receita de US$ 64,6 bilhões e capex recorde.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 34,9 bilhões é o número que explica a jogada

Foi esse o capex que a Meta queimou só no terceiro trimestre de 2026 em data centers e equipamentos para treinar e rodar modelos de IA — tanto que o fluxo de caixa livre da empresa ficou negativo em US$ 2,12 bilhões no período, mesmo com receita de US$ 64,6 bilhões (alta de 26% na comparação anual). Para sustentar esse ritmo de gasto sem recorrer só a dívida, o conselho da Meta aprovou a criação de uma nova classe de ações, a Class C, sem direito a voto.

Como funciona a nova classe

Foto: reprodução/stocktitan.net

A mecânica é simples: a partir de 19 de janeiro de 2027, cada acionista com papéis Class A ou Class B vai receber, como dividendo, uma ação Class C para cada ação que já possui — na prática, um desdobramento de 2 por 1. A diferença é que a Class C não dá direito a voto nas decisões da companhia. Segundo a CFO Susan Li, a classe foi criada para gerar capital público não-votante, utilizável para captação de recursos, compensação de funcionários, aquisições e outros fins corporativos gerais.

Quem ganha e quem perde

Para o investidor que já tem ações da Meta, o anúncio é, na prática, neutro em termos de participação econômica: ele recebe o papel novo de graça e seu poder de voto nas Class A e B permanece intacto. O verdadeiro ganhador é Mark Zuckerberg, que vê sua margem de manobra financeira se ampliar sem abrir mão de controle — o acordo prevê que ele só pode vender livremente 20% das novas ações; os outros 80% têm venda condicionada ao abandono proporcional de poder de voto, com liberação de 2,5% a cada trimestre enquanto ele seguir à frente da empresa em tempo integral. Quem compra a Class C no mercado, por outro lado, entra sem nenhuma palavra a dizer sobre os rumos da companhia — um preço que Wall Street parece disposta a pagar: as ações da Meta subiram após o balanço, mesmo com a receita operacional caindo 37% por causa de uma provisão de US$ 9,9 bilhões ligada a um acordo judicial envolvendo menores de idade.

O pano de fundo: uma corrida de capex sem fim à vista

O lucro líquido do trimestre saltou 264%, para US$ 9,86 bilhões, e o lucro por ação diluído chegou a US$ 3,83 — mas, sem o efeito da provisão judicial, teria sido de US$ 7,40. A margem operacional caiu de 40% para 20% em um ano, reflexo direto do ritmo de investimento em infraestrutura de IA. Com cerca de US$ 347 bilhões em compromissos de arrendamento ainda não iniciados — equivalentes a 1,4 vez a receita anual da empresa —, a Meta sinaliza que o apetite por gastar em IA está longe de arrefecer, e a nova classe de ações é mais uma ferramenta para financiar essa aposta sem perder as rédeas do negócio.


Atualização (22/10, 21:57): A TechCrunch revelou um detalhe por trás da nova classe de ações sem voto da Meta: a manobra também foi desenhada para ajudar Mark Zuckerberg a bancar a Proposição 40, projeto de lei que será votado pelos eleitores da Califórnia e prevê uma taxação única de 5% sobre o patrimônio líquido de bilionários do estado. Caso aprovada, a medida poderia gerar uma conta de cerca de US$ 11 bilhões para o CEO, hoje a sexta maior fortuna do mundo, avaliada em aproximadamente US$ 225 bilhões.

Com a nova Classe C de ações ordinárias, que entra em vigor em janeiro, Zuckerberg poderá vender ou transferir imediatamente até 20% das ações recebidas — o equivalente a 10% de sua participação econômica total — para quitar o eventual imposto, sem que isso afete seu controle de voto majoritário (cerca de 60%) sobre a Meta. Segundo os documentos enviados à SEC, o executivo discutiu a estratégia com o conselho desde julho de 2026 e chegou a cogitar deixar a Califórnia caso um plano não fosse viabilizado; em troca, comprometeu-se a permanecer no estado por oito anos.

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