
Meta demorou a tirar do ar anúncios de apps que nudificam menores
Investigação mostra anúncios no Facebook e Instagram promovendo aplicativos que geram nudez falsa a partir de fotos reais de adolescentes; a Meta removeu o conteúdo só depois de pressão externa.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Uma investigação da Ars Technica encontrou anúncios veiculados no Facebook e no Instagram, redes da Meta, promovendo aplicativos de “nudificação” — ferramentas de IA que geram imagens de nudez falsa a partir de fotos reais de uma pessoa vestida. Um dos casos documentados envolveu a foto de uma adolescente de 14 anos, retirada do Instagram dela, transformada em vídeo sintético sexualizado. Segundo apuração do Tech Transparency Project, organização que monitora publicidade nas redes sociais, os anúncios chegaram a mais de 29 mil pessoas na União Europeia e cerca de 6.800 no Reino Unido, com a maior parte da veiculação concentrada nos Estados Unidos.
Quem é afetado
Adolescentes que têm fotos públicas nas redes — perfis de clubes esportivos, escolas, atividades extracurriculares — são o alvo principal, porque servem de matéria-prima para os aplicativos gerarem as imagens falsas sem o conhecimento delas ou dos responsáveis. A reportagem aponta que a Meta demorou a remover os anúncios mesmo depois de identificados, atribuindo a falha de detecção ao fato de os clipes usados serem “breves ou borrados”.
O que a Meta diz
Em nota, a empresa afirmou: “não toleramos aplicativos de nudificação nem qualquer tipo de exploração infantil, seja real ou gerada por IA”. Depois que a organização compartilhou os achados, a empresa removeu cerca de 150 anúncios que ainda estavam ativos e reclassificou mais de 100 que já haviam sido retirados do ar.
O que fazer agora
- Ative a conta de adolescentes como privada nas redes sociais, limitando quem pode salvar ou reutilizar fotos.
- Denuncie perfis e anúncios suspeitos diretamente pela ferramenta de denúncia do Instagram/Facebook — casos de exploração infantil têm fila de análise prioritária.
- Caso encontre uma imagem falsa de um menor de idade, registre boletim de ocorrência e procure o Disque 100 ou o canal da SaferNet Brasil, que orienta remoção de conteúdo e apoio jurídico.
- Converse com adolescentes sobre a existência desses aplicativos — muitas vítimas só descobrem a imagem depois que ela já circulou.
Atualização (08/09, 21:44): Um novo levantamento do Tech Transparency Project (TTP), organização americana que monitora práticas de grandes empresas de tecnologia, detalhou a extensão do problema: a Meta veiculou mais de 350 anúncios com material de abuso sexual infantil gerado ou manipulado por inteligência artificial no Facebook, Instagram e outras plataformas do grupo desde o fim de 2025.
Segundo o TTP, cerca de 300 desses anúncios direcionavam justamente para os aplicativos de "nudificação" de menores já mencionados nesta reportagem, enquanto o restante promovia diretamente imagens e vídeos manipulados por IA. As peças alcançaram mais de 29 mil contas na União Europeia, cerca de 7 mil no Reino Unido, além de milhares nos Estados Unidos, Austrália e Índia, e em alguns casos usavam fotos reais de crianças, incluindo uma integrante de família real europeia e uma influenciadora pré-adolescente.
Após o compartilhamento das descobertas pelos pesquisadores, a Meta removeu 149 dos anúncios identificados. Apple e Google também retiraram cerca de 50 aplicativos ligados às campanhas de suas lojas.