
Meta é condenada a pagar US$ 25 bi em caso da Cambridge Analytica
Juiz de Novo México impôs a maior penalidade já paga pela Meta este ano, após o tribunal considerar a empresa responsável por 43 milhões de violações da lei estadual de proteção ao consumidor. A Meta já anunciou que vai recorrer.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 25 bilhões: o preço que a Meta vai pagar (por ora)
Um juiz do estado americano de Novo México condenou a Meta a pagar US$ 25 bilhões em penalidades, a maior punição já imposta à empresa neste ano. A decisão, do juiz Francis J. Mathew, veio depois de um julgamento de duas semanas em que a Justiça considerou a Meta responsável por 43 milhões de violações da lei estadual de práticas comerciais desleais — cada uma avaliada em até US$ 5 mil, o que resultou na soma recorde.
O caso está diretamente ligado ao escândalo Cambridge Analytica, episódio revelado em 2018 em que a consultoria política britânica coletou dados pessoais de usuários do Facebook sem consentimento para fins eleitorais. Segundo o processo, movido pelo estado em 2021, a prática afetou até 87 milhões de usuários da rede social nos Estados Unidos.
Quem pedia o quê
A cifra final ficou no meio do caminho entre as posições das partes. O procurador-geral de Novo México, Raúl Torrez, buscava uma penalidade entre US$ 35 bilhões e US$ 40 bilhões, argumentando que só um valor desse tamanho seria capaz de afetar o valor de mercado da Meta e gerar mudança real de comportamento. Torrez chegou a dizer que a quantia obtida "poderia pagar a construção de escolas por cem anos" no estado.
Já os advogados da Meta defendiam um teto de US$ 3,4 bilhões, alegando que qualquer valor acima de US$ 34 bilhões violaria o devido processo legal. O resultado de US$ 25 bilhões ficou bem acima do proposto pela empresa, mas longe do topo pedido pelo estado.
Quem ganha e quem perde
Novo México sai como vencedor simbólico e financeiro: a condenação reforça o uso de leis estaduais de defesa do consumidor contra big techs e pode servir de precedente para outros estados mirarem práticas de privacidade. Já a Meta soma mais um capítulo caro de um escândalo que, em 2019, já havia custado à empresa US$ 5 bilhões em multa da FTC americana, e em 2023 gerou um acordo de US$ 725 milhões em ação coletiva nos EUA.
C.J. Mahoney, diretor jurídico da Meta, classificou a decisão como uma espécie de "imposto sobre a liberdade de expressão" e disse que a sentença torna "praticamente impossível fazer negócios no estado". A empresa já confirmou que vai recorrer, o que pode levar anos até qualquer pagamento efetivo — e deixa aberta a possibilidade de o valor final ser reduzido ou revertido em instâncias superiores.
Atualização (22/10, 09:47): ATUALIZAÇÃO (22/10/2026): O valor de US$ 25 bilhões fixado contra a Meta não foi o veredito original do júri. Em setembro de 2026, os jurados haviam fixado uma condenação de US$ 219,5 bilhões, posteriormente reduzida pelo juiz estadual Francis Mathew para os US$ 25 bilhões anunciados.
A decisão aponta mais de 43 milhões de violações das leis de proteção ao consumidor do Novo México atribuídas à Meta, e determina juros de 15% ao ano sobre o valor até o pagamento integral.
Atualização (22/10, 15:46): O valor recorde da multa tem uma explicação específica: o estado de Novo México foi um dos poucos a não aderir ao acordo multiestadual que a Meta fechou em agosto com outros estados sobre o mesmo caso. Enquanto seis estados dividiram apenas US$ 459,2 milhões dentro de um acordo global de US$ 17,1 bilhões, Novo México preferiu processar a Meta isoladamente — e um júri de Santa Fé condenou a empresa por mais de 43 milhões de violações da lei de proteção ao consumidor do estado, resultando nos US$ 25 bilhões.
C.J. Mahoney, diretor jurídico da Meta, classificou a postura da procuradoria-geral do estado como algo que "torna praticamente impossível fazer negócios no estado de Novo México", e a empresa já confirmou que vai recorrer da sentença, dizendo-se "confiante de que vencerá na apelação". Se mantido, o valor da multa será destinado à educação pública do estado.