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Mercado22 de set. de 2026, 09:54

Meta fecha 1º acordo de crédito de carbono com recicladora

A Meta vai pagar pela redução de emissões da startup MacroCycle, que recicla plástico com 80% menos carbono, em troca de ajudar a financiar a primeira fábrica comercial da empresa nos EUA.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: 80% menos carbono

A Meta assinou o primeiro acordo do tipo em sua história: um contrato de três anos com a MacroCycle, startup de Cambridge, Massachusetts, que desenvolveu uma tecnologia pra reciclar plástico PET usando solvente em vez de calor. O processo resulta em um material praticamente indistinguível do plástico virgem — mas gerando 80% menos emissão de carbono que a produção tradicional.

Pelos termos do acordo, a Meta vai pagar à MacroCycle pelos direitos das emissões evitadas — na prática, créditos de carbono — e poderá contabilizar essa redução na própria pegada ambiental da empresa. Em troca, a MacroCycle ganha uma fonte extra de receita pra financiar a construção da sua primeira fábrica comercial nos Estados Unidos, capaz de produzir 5 mil toneladas de plástico reciclado por ano.

Quem ganha e quem precisa provar que ganhou

Pra Meta, o múltiplo mais relevante não é financeiro — é reputacional. A pegada de carbono da empresa vem crescendo de forma acentuada por causa do boom de data centers movidos a IA, e comprar créditos de emissões evitadas é uma forma de compensar esse crescimento no papel, sem reduzir o consumo de energia na prática. Vale lembrar que a Meta já foi criticada recentemente por não divulgar o consumo de água de outro projeto de data center, no Rio Colorado — o que reforça o ceticismo que esse tipo de acordo costuma gerar.

Pra MacroCycle, que já tinha levantado US$ 6,5 milhões numa rodada de financiamento anterior, o acordo com a Meta representa um salto de escala bem maior do que qualquer aporte de venture capital seria capaz de bancar sozinho — big techs pagando adiantado por créditos de carbono viraram, nos últimos anos, uma fonte de capital paralela ao mercado de venture capital tradicional pra startups de clima.

O que fica de fora

O acordo não revela valores. Sem o número do cheque, fica difícil saber se o preço pago pela Meta por tonelada de carbono evitado está alinhado com o mercado ou se é um prêmio pago pra garantir exclusividade com uma tecnologia ainda não testada em escala industrial.

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