
Meta fecha acordo de US$ 17 bilhões por dano a adolescentes nas redes
Empresa aceita pagar até US$ 17 bilhões a 47 estados dos EUA para encerrar processo sobre efeitos do Instagram e Facebook na saúde mental de adolescentes, evitando depoimento de Mark Zuckerberg.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que encerra o julgamento
US$ 17 bilhões. É esse o valor que a Meta aceitou pagar para encerrar, sem ir a júri, o processo movido por 47 estados americanos que acusavam Instagram e Facebook de fomentar o uso viciante das redes entre crianças e adolescentes. O acordo, fechado nesta quarta-feira (26), evita que o CEO Mark Zuckerberg precisasse depor perante um júri federal na Califórnia.
Como chegou a esse valor
Os US$ 17 bilhões serão pagos em penalidades ao longo de dez anos aos estados que processaram a empresa desde 2023 — entre eles Califórnia, Virgínia, Indiana, Kentucky e Nova Jersey. Para efeito de comparação, o valor é mais que o dobro dos US$ 375 milhões que um júri do Novo México já havia determinado que a Meta pagasse em um processo separado, em março. Além do valor principal, a empresa se comprometeu a destinar parte do dinheiro a programas de saúde mental infantil, atendimento em crise e atividades extracurriculares nos estados.
Quem ganha e quem perde
Os estados processantes saem como vencedores diretos: encerram sem risco um litígio que poderia se arrastar por anos e garantem receita imediata para políticas públicas. A Meta, por sua vez, evita a exposição de documentos internos e o desgaste de imagem que um julgamento longo traria — o acordo interrompe um processo que já havia revelado, em ações judiciais anteriores, que a empresa monitorava internamente os efeitos negativos do Instagram sobre adolescentes.
O que ainda falta responder
O acordo não encerra a pressão regulatória sobre a Meta. Outras ações judiciais individuais e estaduais contra a empresa por danos a menores seguem em andamento, e reguladores em outros países observam o caso como precedente. Falta saber se a companhia vai alterar de fato o design dos seus produtos ou se o pagamento vai funcionar apenas como um custo já embutido na operação do negócio.