
Meta pagou US$ 9,89 bi em acordo sobre segurança infantil e ainda lucrou mais no 3º trimestre
Encargo bilionário com procuradores-gerais dos EUA derrubou o lucro operacional da Meta em 37%, mas a empresa ainda triplicou o lucro líquido com alta de 26% na receita.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 9,89 bilhões: o preço do acordo sobre segurança infantil
A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, pagou US$ 9,89 bilhões no terceiro trimestre de 2026 como parte de um acordo com procuradores-gerais de 52 estados dos EUA sobre segurança infantil nas redes sociais. O valor corresponde a um encargo único relacionado a um acordo que pode somar até aproximadamente US$ 18,59 bilhões no total, firmado em agosto após anos de litígios sobre o impacto das plataformas na saúde mental de adolescentes.
Sem esse custo, o income from operations (lucro operacional) da Meta teria sido de US$ 22,88 bilhões no trimestre. Com o encargo contabilizado, o número caiu para US$ 12,988 bilhões — queda de 37% em relação ao mesmo período de 2025, quando a margem operacional era de 40%. Agora ela caiu para 20%.
Receita sobe 26%, lucro líquido mais que triplica
Mesmo com o rombo bilionário, a Meta reportou receita total de US$ 64,601 bilhões no trimestre, alta de 26% na comparação anual e acima da estimativa de analistas, que apontava para cerca de US$ 63,4 bilhões. O lucro líquido chegou a US$ 9,86 bilhões, salto de 264% em relação aos US$ 2,71 bilhões do terceiro trimestre de 2025 — base de comparação baixa, distorcida por outro encargo tributário bilionário no ano anterior.
O lucro por ação diluído foi de US$ 3,83, abaixo das projeções de Wall Street, que giravam entre US$ 5,74 e US$ 6,54. Excluindo o encargo do acordo, o EPS ajustado teria sido de US$ 7,40 — superando com folga as expectativas do mercado, o que ajuda a explicar por que as ações não reagiram mal ao resultado.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha é a própria Meta no médio prazo: o acordo encerra uma frente de risco jurídico que pairava sobre a empresa, e a receita de anúncios continua crescendo em ritmo acelerado, com a base de usuários ativos diários da família de apps em 3,64 bilhões, alta de 3% ano a ano. Investidores também parecem aliviados — o mercado tratou o encargo como custo pontual e não recorrente.
Quem perde, além dos cofres da empresa, são os acionistas de curto prazo que acompanham o EPS reportado, bem abaixo do consenso, e a narrativa de que a Meta segue sob pressão regulatória nos EUA por conta do impacto de suas plataformas em crianças e adolescentes. A empresa também sinalizou que vai continuar gastando pesado: a previsão de capital expenditures para 2026 foi ajustada para uma faixa de US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões, e a receita esperada para o quarto trimestre é de US$ 73 bilhões a US$ 76 bilhões.