
Meta pode levar multa diária de R$ 1 milhão por falhas de IA nas eleições
PGE pede nova punição à Meta após falhas no tradutor e na Meta AI que trataram desigualmente os candidatos do 2º turno. TSE já havia dobrado a multa diária para R$ 1 milhão.
Por Elias Brandão · Analista de IA e ética
O que o TSE decidiu
A Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, voltou a ser alvo de multa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por descumprir ordens de isonomia entre as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, com votação marcada para 25 de outubro. Em 15 de outubro, o ministro relator Marco Aurélio Bellizze havia fixado multa de R$ 500 mil por dia em caso de novo descumprimento; quatro dias depois, dobrou o valor para R$ 1 milhão diários e deu 24 horas para a empresa comprovar, em 11 itens, que havia corrigido o problema.
O erro, em bom português
A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE, órgão do Ministério Público que atua nas eleições) apontou duas falhas novas. A primeira é no tradutor automático das redes da Meta: ao processar críticas a um dos candidatos, o sistema teria invertido o sentido das frases dependendo de quem era citado — um erro de tradução que, na prática, funciona como censura seletiva, mesmo sem intenção. A segunda é na Meta AI, a ferramenta de inteligência artificial generativa da empresa: comandos genéricos sobre política e eleições estariam sendo associados ao número de urna de Flávio (22), e não ao de Lula. A PGE também cobrou explicações sobre a análise de 255 perfis supostamente inautênticos usados para ampliar o alcance de conteúdo político.
Os dois lados
A Meta ainda não respondeu publicamente ao novo pedido de multa, e o próprio ministro Bellizze reconheceu, nas decisões anteriores, não haver provas de que a empresa tenha manipulado algoritmos de forma deliberada — o que abre espaço para a hipótese de falha técnica, não de má-fé. Por outro lado, é a segunda vez em menos de uma semana que a plataforma é flagrada tratando os dois lados da disputa de forma desigual, o que reforça a cobrança do TSE por respostas rápidas e verificáveis, não apenas promessas de ajuste.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
O que falta responder
Ainda não há decisão sobre o novo pedido de multa da PGE, nem valor fixado para esta denúncia específica. A Meta também não detalhou publicamente como pretende corrigir o tradutor e a geração de imagens da Meta AI antes do segundo turno, em 25 de outubro.
Atualização (23/10, 00:59): Um grupo de 13 parlamentares dos Estados Unidos enviou carta ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, cobrando explicações sobre a atuação da empresa nas eleições presidenciais do Brasil. O documento, coordenado pela deputada democrata Pramila Jayapal e assinado também pelo senador independente Bernie Sanders, foi enviado em 22 de outubro, três dias antes do segundo turno.
Os congressistas questionam se os mecanismos de moderação, recomendação de conteúdo e inteligência artificial da Meta prejudicaram publicações da campanha de Lula (PT) ou favoreceram conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro (PL). A carta cita a desativação da conta de anúncios de Lula no Facebook em 23 de setembro e restrições que impediram o impulsionamento de posts no Instagram entre 9 e 10 de outubro, episódio que teria deixado de exibir anúncios a cerca de 1,3 milhão de pessoas. Os parlamentares pedem reunião com a empresa já em 23 de outubro e respostas por escrito até 4 de novembro.