
Meta testa Facebook e Instagram em tela cheia, no modelo do TikTok
A Meta começou a testar uma versão do Facebook que abre direto em vídeo vertical de tela cheia, hoje restrita à Índia e à Indonésia, enquanto o Instagram testa deixar os Reels como tela inicial padrão — parte de uma corrida de apps copiando o formato do TikTok.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: dois mercados, 400 milhões de usuários
A Meta começou a testar uma versão do Facebook que abre direto em vídeo de tela cheia, no estilo Reels, em vez do tradicional Feed de Notícias — hoje limitada à Índia, maior mercado do Facebook no mundo com mais de 400 milhões de usuários, e à Indonésia. Quem está no teste pode voltar ao "Feed clássico" numa segunda aba, segundo confirmou porta-voz da empresa. Em paralelo, o Instagram testa deixar os Reels como visualização padrão da tela inicial, mudança identificada em capturas de tela por pesquisadores de aplicativos.
Contextualizando o múltiplo: todo mundo quer ser o TikTok
Tom Alison, chefe do Facebook, já havia sinalizado a direção em julho de 2026: "as pessoas estão nos mostrando que querem uma experiência mais imersiva, visual e voltada a vídeo." A Meta também afirmou que todo vídeo novo postado no Facebook passará a ser tratado como Reels, independente de formato ou duração — um movimento que empurra toda a base de usuários para o consumo vertical, goste ou não. A expectativa é levar o teste aos Estados Unidos só em 2027.
O Facebook e o Instagram são só os últimos da fila. O YouTube Shorts, formato de vídeos curtos do YouTube, nasceu em testes na Índia em setembro de 2020 — justamente após o banimento do TikTok no país —, chegou aos Estados Unidos em março de 2021 e virou produto global em julho daquele ano. O Snapchat Spotlight, aba de vídeos curtos do Snapchat, foi lançado em novembro de 2020 com fundo de US$ 1 milhão por dia para pagar criadores. Mais recentemente, em abril de 2026, a Netflix anunciou o Clips, feed vertical de trechos curtos de séries e filmes para ajudar o usuário a descobrir o que assistir, substituto do antigo recurso Fast Laughs. Até o LinkedIn, rede social corporativa, tem desde o fim de 2024 uma aba de vídeo vertical em tela cheia.
Quem ganha e quem perde nessa corrida
Quem ganha, no curto prazo, é o próprio TikTok: toda essa movimentação valida o formato que ele popularizou e ainda funciona como um reconhecimento não-dito de que a plataforma chinesa segue dentro da cabeça de quem desenha produto no Vale do Silício. Quem potencialmente perde é o usuário que preferia o feed tradicional, cronológico ou por texto — e que agora vê empresas como a Meta empurrando o algoritmo de recomendação de vídeo como padrão, não como opção. Resta saber se o apetite por rolagem infinita de vídeo é dos usuários ou dos anunciantes, que pagam mais caro por esse tipo de atenção.