Meta testa robôs para assumir tarefas físicas em data centers
Empresa avalia braços robóticos de Watney, Kinova e ABB para trocar cabos e reiniciar servidores, movimento que pode substituir até 80% de certas funções técnicas.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 80%
Um funcionário da Meta estimou que um robô de troca de cabos bem-sucedido pode assumir até 80% do trabalho realizado em determinadas funções técnicas dentro dos data centers da empresa. A informação, revelada pela WIRED e reproduzida pela Ars Technica, mostra a Meta testando silenciosamente robôs especializados para automatizar tarefas físicas de manutenção que hoje dependem de técnicos humanos.
Quem são os parceiros
A empresa está avaliando equipamentos de três fabricantes de robótica: a americana Watney Robotics, a canadense Kinova e a suíça ABB. No campus de Altoona, Iowa, a Meta testa robôs de dois braços da Watney para tarefas de cabeamento. Já no campus Prometheus, em New Albany, Ohio, robôs da ABB montados sobre plataformas de quatro rodas são usados para reencaixar componentes de hardware. O braço robótico Gen3, da Kinova, está em avaliação para reiniciar servidores travados.
O contexto do capex bilionário
O movimento acontece em meio à escalada de investimento da Meta em infraestrutura de IA. A empresa elevou sua projeção de capex para 2026 para uma faixa entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões — quase o dobro dos US$ 72,2 bilhões gastos em 2025. Automatizar tarefas repetitivas de manutenção, como trocar cabos de rede e reiniciar máquinas, é parte da equação para operar essa infraestrutura em expansão com menos gargalos humanos.
Quem ganha e quem perde
Trabalhadores atuais e ex-funcionários ouvidos pela reportagem temem que a automação substitua técnicos experientes por "mãos inteligentes" — funcionários de nível inicial que apenas seguem instruções em tempo real geradas por um agente de IA, recebendo salários menores. Um funcionário resumiu o clima interno: "Achávamos que quem fazia o trabalho físico estaria seguro por um tempo, mas não mais."
Procurada, a Meta rebateu a ideia de que estaria cortando postos de trabalho. Um porta-voz da empresa afirmou que os Estados Unidos vivem o maior boom de infraestrutura desde a Segunda Guerra Mundial e que há escassez de mão de obra qualificada — por isso a empresa afirma precisar de mais trabalhadores, não de menos.
Limitações atuais
Apesar do avanço, os robôs estão longe de substituir totalmente os técnicos. As máquinas de inventário ainda têm dificuldade com cabos e cantos apertados, precisam de humanos para serem transportadas entre prédios e nem sempre conseguem interpretar indicadores visuais dos equipamentos. Outros modelos exigem tempo de recarga considerável e ainda são mais lentos que uma pessoa treinada.