
Micron vende memória de 2027 mais cara que a de 2026, diz CEO
Sanjay Mehrotra afirma que mais de 75% da produção de 2027 da Micron já está vendida, a preços bem acima dos praticados em 2026, e que a escassez de RAM deve seguir até 2028.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
75% já vendido, e mais caro
O número que define o setor de memória agora é 75%: essa é a fatia da produção de 2027 da Micron, uma das maiores fabricantes mundiais de chips de memória DRAM e NAND, que já está comprometida com clientes — a preços significativamente mais altos do que os cobrados em 2026. A declaração é do CEO Sanjay Mehrotra, em teleconferência de resultados do quarto trimestre fiscal da empresa, realizada em 30 de setembro, e repercutida pelo site Ars Technica.
Segundo Mehrotra, no segmento de memória de alto desempenho usada em servidores de inteligência artificial, a HBM, "uma grande parte do volume já está vendida para 2027, e os preços são muito mais altos que os preços de 2026". O executivo foi além: previu que a oferta de memória deve ficar ainda mais apertada tanto em 2027 quanto em 2028, com demanda superando a capacidade de fornecimento nos dois anos.
Quem ganha e quem paga a conta
Quem ganha com o cenário é a própria Micron e concorrentes como Samsung e SK Hynix: no último trimestre, a companhia americana reportou alta de preços de DRAM na faixa de porcentagem entre 15% e 19%, e de cerca de 30% em chips NAND. Com contratos de 2027 já fechados a valores superiores, as fabricantes garantem margem maior sem precisar elevar capacidade no mesmo ritmo — a nova fábrica da Micron em Idaho, a ID2, só deve começar a produzir wafers no final de 2028.
Quem paga a conta são fabricantes de eletrônicos e, no fim da cadeia, o consumidor. A escassez de memória já é apontada como um dos fatores por trás de reajustes de preço em smartphones recentes, caso do Galaxy S26, e deve se espalhar para notebooks, consoles e qualquer produto que dependa de RAM e armazenamento flash.
Sem previsão de alívio
O mais relevante na fala de Mehrotra é a ausência de um horizonte de normalização: mesmo com investimentos adicionais em capacidade anunciados pelo setor, a Micron diz não ter "linha de visão" para um equilíbrio entre oferta e demanda. Para fabricantes que dependem de memória — de montadoras de PCs a empresas de data center — o recado é direto: os preços de 2026, vistos hoje como altos, provavelmente vão parecer baratos em retrospecto.
Atualização (02/10, 15:48): Atualização (02/10/2026): A Micron divulgou, em 1º de outubro, o balanço do quarto trimestre fiscal com receita recorde de US$ 54,2 bilhões — o sexto trimestre consecutivo de vendas recordes da fabricante. No acumulado do ano fiscal de 2026, a receita somou US$ 133,2 bilhões, alta de 256% ante o ano anterior, impulsionada pela melhora nos preços e na demanda por chips DRAM e NAND.
No balanço, a empresa reforçou que espera preços de memória "ainda mais altos" nos próximos anos, já que a demanda deve continuar superior à oferta. Segundo a Micron, o desequilíbrio entre oferta e demanda deve se intensificar em 2027 e 2028, puxado principalmente pelo crescimento acelerado da demanda ligada à inteligência artificial.
A companhia também projetou receita de US$ 61,5 bilhões para o primeiro trimestre fiscal de 2027, mantendo a trajetória de alta observada nos últimos resultados.