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IAMercado04 de set. de 2026, 16:58

Microsoft diz que quase ninguém usou Copilot para copiar o NYT

Em nova peça judicial, a Microsoft afirmou que apenas uma fração mínima dos chats do Copilot, seu assistente de IA integrado ao Windows e ao Office, reproduziu trechos de reportagens do New York Times. A empresa usa o dado para reforçar sua defesa na ação por violação de direitos autorais.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Pense no Copilot, o assistente de inteligência artificial que a Microsoft embutiu no Windows, no Office e no navegador Edge, como um estagiário que leu uma biblioteca inteira, mas que, na hora de responder, quase nunca cita um livro palavra por palavra. É essa a imagem que a Microsoft tentou passar à Justiça americana na disputa movida pelo New York Times e por um grupo de autores contra a empresa e a OpenAI, criadora do ChatGPT.

O que a Microsoft apresentou

A empresa entregou, na fase de coleta de provas do processo, 8,2 milhões de registros de conversas do Copilot a um perito contratado pelos veículos de imprensa autores da ação. Esses registros foram escolhidos justamente por conterem palavras-chave associadas ao uso de conteúdo do New York Times e de outros jornais que integram a disputa — ou seja, era a amostra com maior chance de mostrar cópia.

Mesmo nesse recorte enviesado a favor dos autores do processo, apenas 59.545 conversas — uma fatia pequena do total — continham ao menos 16 palavras em comum com trechos de reportagens usadas para "ancorar" as respostas do modelo de IA. Para a Microsoft, esse número mostra que, na prática, é raro o Copilot reproduzir frases completas de matérias jornalísticas ou livros, quanto mais blocos de texto substanciais capazes de substituir o original.

Os dois lados do debate

De um lado, a Microsoft e a OpenAI argumentam que treinar modelos de IA com conteúdo protegido por direitos autorais é uso justo (a chamada "fair use" da lei americana), já que o resultado final raramente reproduz o material original de forma reconhecível. É como comparar um aluno que estudou vários livros de história e escreve uma redação com as próprias palavras — não uma cópia.

Do outro lado, o New York Times e os autores — entre eles nomes como George R. R. Martin e Jodi Picoult, que também processam a OpenAI — sustentam que o simples treinamento com textos protegidos, sem autorização nem pagamento, já configura violação, independentemente de o resultado final citar ou não trechos literais. Em 2025, a juíza responsável pelo caso negou a maior parte dos pedidos de arquivamento feitos pela OpenAI, permitindo que a maioria das alegações do Times siga adiante.

O que ainda falta responder

A Microsoft não detalhou como esses 8,2 milhões de registros foram selecionados nem se representam de fato o uso típico do Copilot pelo público em geral. Também não há decisão final sobre o mérito da ação, que segue em tramitação na Justiça americana — o dado divulgado agora é uma peça de defesa, não um veredito.

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