
Microsoft e MIT criam IA que estende previsão do tempo para seis semanas
Pesquisadores da Microsoft e do MIT publicaram na revista científica Nature uma ferramenta de aprendizado de máquina que dobra a precisão de previsões climáticas de duas a seis semanas de antecedência. O código é aberto e já venceu uma competição internacional de meteorologia.
Por Elias Brandão · Analista de IA e ética
A ferramenta
Prever o tempo com duas semanas de antecedência já é um desafio. Seis semanas, então, era terreno de chute mais do que de ciência. Uma equipe da Microsoft Research, em parceria com o MIT, publicou nesta quarta-feira (14) na revista científica Nature um estudo que muda esse cenário: a Probabilistic Bias Correction, ou PBC, método de aprendizado de máquina que corrige os erros sistemáticos dos modelos de previsão hoje usados pelo mundo.
Em bom português, pense na PBC como um corretor que aprende, com o tempo, os "vícios" de um modelo de previsão — tipo aquele termômetro que sempre marca um grau acima do real — e ajusta a previsão final para compensar esse desvio. A diferença é que a PBC não corrige só um número, como a temperatura esperada: ela trabalha em cima de toda a distribuição de probabilidades da previsão, o que a torna mais precisa para estimar riscos de eventos extremos.
Os números
Aplicada aos modelos mais avançados do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), a correção dobrou a capacidade de previsão do sistema de IA do centro para o período de duas a seis semanas. Os ganhos de precisão chegaram a 26% a 37% para temperatura e 16% a 32% para pressão atmosférica, com melhorias em 98% das áreas analisadas para chuva. Para eventos extremos como enchentes, o ganho de precisão varia entre 76% e 150%, dependendo da gravidade.
A combinação batizada MicroDuet, que reúne a PBC com outros modelos, ficou em primeiro lugar em todas as variáveis meteorológicas e prazos avaliados na competição AI Weather Quest do ECMWF, superando 34 equipes de todo o mundo.
Código aberto, pergunta aberta
A Microsoft e o MIT liberaram o código da PBC publicamente, sob licença MIT, o que permite que institutos meteorológicos de qualquer país — inclusive o Inmet, no Brasil — testem a ferramenta em seus próprios modelos. O estudo teve 13 autores, assinado por pesquisadoras como Hannah Guan e Soukayna Mouatadid, com Judah Cohen, do MIT, e Lester Mackey, da Microsoft Research, como autores correspondentes.
Fica a pergunta que o artigo científico não respondeu: quanto tempo leva até essa correção saltar do laboratório para os boletins meteorológicos que chegam ao celular do brasileiro?