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Mercado23 de out. de 2026, 09:35

Microsoft encerra o Garage, espaço de projetos internos de 17 anos

A Microsoft está encerrando o Garage, programa de 17 anos que deu origem a produtos como o Seeing AI e o Xbox Adaptive Controller, em meio a uma onda de cortes de custos na empresa.

Por Marcos Silva · Repórter de plantão

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Microsoft fecha o Garage após 17 anos

A Microsoft está encerrando o Garage, programa interno de 17 anos que dava a funcionários espaço, ferramentas e tempo livre para projetos experimentais. O anúncio veio nesta semana. A empresa confirmou o fim do programa "como função centralizada".

Alguns espaços físicos ficam restritos a funcionários já a partir de sexta-feira, 23 de outubro. Equipamentos, ferramentas e materiais não podem ser levados para casa pelos empregados. O site público do Garage, que exibia projetos de hackathons e apps experimentais abertos ao público, agora redireciona para a homepage da Microsoft.

O hackathon global fica em aberto

O Garage organizava o Global Hackathon da empresa, um dos maiores hackathons privados do mundo. Um FAQ interno diz que a equipe está "reimaginando o programa" e promete mais informações depois. Não houve cancelamento formal do evento — apenas suspensão sem data de volta.

Projetos que saíram do Garage

Do programa nasceram produtos que chegaram ao público: o Seeing AI, aplicativo de acessibilidade para pessoas com baixa visão apresentado na conferência Build de 2016; o Arrow Launcher, que evoluiu para o Microsoft Launcher, hoje um dos launchers mais usados no Android; o Xbox Adaptive Controller, controle acessível para jogadores com deficiência; e o Eye Control, recurso do Windows 10 que permite navegar pelo sistema com rastreamento ocular.

Parte de um corte maior

O fechamento do Garage se soma a outros cortes de custo da Microsoft neste ano: a empresa já havia fechado bibliotecas em seus campi de Redmond, Hyderabad, Pequim e Dublin, além do Visitor Center em Redmond. O Garage sobrevivia desde 2009 como símbolo da cultura de inovação "de baixo para cima" da empresa.

A decisão chama atenção porque o Garage era citado com frequência pela própria Microsoft como prova de que inovação não precisa vir só de cima para baixo — vários projetos que saíram dali competiam, dentro da empresa, por atenção e orçamento com produtos oficiais dos times centrais. Fechar o programa facilita o controle sobre onde o dinheiro de P&D é gasto, mas também reduz o espaço para apostas que não nascem de um roadmap corporativo.

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