
Microsoft explica por que é tão difícil remover recursos antigos do Windows 11
Marcus Ash, vice-presidente corporativo da Microsoft, afirmou que a modernização de ferramentas como Painel de Controle, Explorador de Arquivos e Editor do Registro avança devagar porque a empresa não pode quebrar sua promessa de compatibilidade com softwares e drivers legados.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Compromisso com compatibilidade trava modernização
Marcus Ash, vice-presidente corporativo (CVP) de Design e Pesquisa para Windows e Devices da Microsoft, explicou em entrevista ao Windows Central Podcast por que recursos antigos do Windows 11, como o Painel de Controle, resistem a anos de tentativas de modernização. Segundo ele, a dificuldade não é técnica no sentido de reescrever código, mas sim garantir que nada quebre para quem ainda depende dessas ferramentas.
"É por isso que coisas como o Painel de Controle ficam complicadas, porque se um cliente tem um driver ou algo que depende dessa funcionalidade legada, precisamos ter cuidado para não quebrar essa promessa de compatibilidade", disse Ash, segundo reportagem original do Windows Central.
Foto: reprodução/wccftech.com
Painel de Controle: mais de 13 anos de transição
O executivo usou o próprio Painel de Controle como exemplo do tamanho do desafio. A Microsoft começou a modernizar essa interface ainda no Windows 8, lançado há mais de 13 anos, substituindo partes dela pelas Configurações. Mesmo assim, o processo segue incompleto até hoje, com funções que só existem na versão antiga da ferramenta.
Ash afirmou que a companhia está tentando descobrir "como atacar esse problema para que a gente mantenha a promessa de compatibilidade e, ao mesmo tempo, consiga modernizar esses frameworks". Ou seja, cada substituição de um componente legado exige testes extensos de compatibilidade e confiabilidade antes que a versão antiga possa ser aposentada.
Como a Microsoft escolhe o que atualizar
Segundo o executivo, a priorização de quais recursos legados merecem ser modernizados primeiro não é arbitrária: "é baseado em uso, telemetria e feedback", afirmou. Com base nesses critérios, a empresa tem mirado ferramentas com alto volume de uso, como o Explorador de Arquivos, além de aplicativos maiores do sistema. O Editor do Registro (Regedit) também foi citado como um dos componentes sob avaliação para receber uma interface mais moderna.
A entrevista, focada em detalhar os bastidores do desenvolvimento do Windows 11, também abordou outros temas, como a otimização do sistema para computadores com apenas 8 GB de RAM e os motivos técnicos que levam a Microsoft a optar por WebView2 em vez de WinUI em determinados aplicativos e interfaces.
Por que isso importa
A explicação de Ash ajuda a entender uma crítica recorrente a usuários avançados e empresas: por que o Windows 11, mesmo anos após seu lançamento, ainda carrega interfaces visualmente datadas ao lado de elementos modernos. Para a Microsoft, cada recurso antigo removido representa um risco de quebrar compatibilidade com softwares corporativos, drivers de hardware e fluxos de trabalho estabelecidos há décadas — um equilíbrio que a empresa diz priorizar acima da velocidade da modernização visual.