
Microsoft oferece buyouts a 60 mil funcionários em quatro países
A gigante de tecnologia abriu um programa de desligamento voluntário que cobre mais de um quarto do quadro global de pessoal, em meio à reorganização para a era da IA. Divisões como Xbox, Windows e Copilot estão entre as afetadas.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
60 mil nomes na lista
São 60 mil funcionários. Esse é o número que a Microsoft colocou na mesa nesta segunda-feira (26/10) ao abrir um programa de desligamento voluntário — o chamado "Voluntary Exit Offer" — para cerca de um quarto de todo o seu quadro de pessoal, hoje em torno de 223 mil pessoas. Não é demissão direta: é um convite, com prazo até a primeira semana de dezembro para aceitar, e saída efetiva marcada para 31 de dezembro.
A diretora de pessoal (Chief People Officer) da empresa, Amy Coleman, tentou suavizar o anúncio em memorando enviado aos times elegíveis. Segundo ela, a oferta dá aos funcionários "a oportunidade de deixar a Microsoft com apoio financeiro e de carreira", criando "mais flexibilidade e, quando possível, mais formas de os funcionários moldarem seu próximo capítulo". Na prática, trata-se de uma reestruturação de custos disfarçada de escolha.
Foto: reprodução/cnbc.com
Quem entra na conta
O programa vale para funcionários em nível de vice-presidência ou abaixo, em times selecionados nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Índia. Ficam de fora áreas como data centers, vendas e marketing. Entre as divisões participantes estão nomes de peso do portfólio da empresa: Xbox, Windows, Copilot e Finance. Os termos seguem o padrão de rescisão já praticado pela companhia.
Não é a primeira rodada do ano. Mais cedo em 2026, a Microsoft já havia oferecido buyouts a funcionários próximos da aposentadoria — cerca de 8.750 elegíveis, dos quais mais de 30% aceitaram. A diferença agora é a escala: de um programa pontual para algo que atinge mais de um quarto da força de trabalho global.
O que isso sinaliza pro setor
O movimento da Microsoft entra na mesma safra de ajustes que Amazon, Meta e outras big techs vêm promovendo desde 2023, só que com uma narrativa mais explícita: reorganizar o quadro de pessoal para a era da inteligência artificial, redirecionando investimento pesado em infraestrutura de IA e cortando camadas de gestão e funções consideradas redundantes.
Para quem trabalha com tecnologia, a leitura é direta: mesmo empresas com resultados financeiros sólidos — e a Microsoft segue lucrativa, puxada por Azure e Copilot — estão usando a reestruturação como ferramenta permanente, não como resposta a crise. Buyouts voluntários tendem a ser preferidos a demissões em massa porque reduzem desgaste jurídico e de imagem, mas o efeito líquido no mercado de trabalho tech é o mesmo: menos vagas estáveis, mais pressão sobre quem fica e sobre quem está em busca de recolocação na área.