
Microsoft planeja triplicar capacidade de data centers até 2032
A empresa quer sair de 12 gigawatts para mais de 38 gigawatts de capacidade global em seis anos, com um terço dedicado a chips de IA. O movimento responde a uma escassez que já fez a empresa recusar clientes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
12 para mais de 38 gigawatts: esse é o salto de capacidade que a Microsoft planeja dar em sua rede global de data centers até 2032, segundo reportagem da Bloomberg baseada em fontes com conhecimento do plano. É mais que triplicar a infraestrutura atual em seis anos — um volume de energia que, no pico, superaria o consumo elétrico do estado de Nova York.
Onde entra a conta
Cerca de um terço dos 38 gigawatts projetados será dedicado a chips específicos de inteligência artificial. Hoje essa fatia de IA já dedicada gira em torno de 2 gigawatts — ou seja, a capacidade voltada a IA deve crescer seis vezes mais rápido que o resto da infraestrutura.
Foto: reprodução/seekingalpha.com
O número inclui instalações próprias e alugadas pela Microsoft, mas exclui capacidade contratada de neoclouds como a CoreWeave, provedora especializada em nuvem para cargas de IA. Um exemplo do ritmo: o campus East US 3, na região de Atlanta, deve somar 300 megawatts neste ano e passar de 1 gigawatt nos próximos anos, com investimento na casa de dezenas de bilhões de dólares.
Por que agora
O plano é resposta direta a uma escassez de capacidade que já custou clientes à Microsoft: a companhia chegou a restringir novas assinaturas de serviços de nuvem em regiões-chave dos Estados Unidos e da Europa, movimento que levou clientes como a varejista chinesa Temu a migrar parte da carga para a rival Oracle.
Alistair Speirs, executivo de infraestrutura de nuvem da Microsoft, explicou a lógica de rede por trás da expansão: "Essencialmente, isso disponibiliza mais capacidade em todo lugar quando abrimos um novo data center". Ele também ponderou que GPUs sozinhas não bastam: "GPUs, por si só, não constituem uma infraestrutura de IA relevante" — é preciso energia, refrigeração e rede para sustentá-las.
Quem ganha e quem perde
A corrida não é só da Microsoft. Alphabet, Amazon e Meta somam, com a Microsoft, quase US$ 2,4 trilhões comprometidos em investimento de infraestrutura para os próximos anos — uma barreira de capital que poucas empresas fora das big techs conseguem replicar. Fornecedores de energia, equipamentos de refrigeração e construção pesada tendem a embolsar parte dessa conta bilionária; clientes de nuvem menores, por ora, seguem na fila de espera por capacidade.
Fontes ouvidas pela Bloomberg alertam que o roteiro pode mudar: data centers levam anos para ficar prontos, e tanto a demanda de clientes quanto a tecnologia disponível podem alterar as premissas atuais do plano.