
Microsoft vai revelar quanto a Azure fatura por trimestre pela 1ª vez
Em reorganização de segmentos que não acontecia desde 2015, Microsoft vai divulgar a receita trimestral exata da Azure, que somou US$ 29,4 bilhões no período encerrado em junho.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 29,4 bilhões é o número que a Microsoft escondia
Até agora, quem queria saber quanto a Azure fatura por trimestre tinha que se contentar com uma taxa de crescimento percentual, sem valor em dólar. Isso muda a partir dos resultados do primeiro trimestre do ano fiscal 2027, que começam a ser divulgados neste segundo semestre. A Microsoft anunciou que vai passar a informar a receita trimestral exata da nuvem Azure — e, usando a nova metodologia, o número do trimestre encerrado em junho já foi revelado: US$ 29,4 bilhões, alta de 42% na comparação anual, o equivalente a cerca de 30% da receita total da empresa. No ano fiscal completo até junho, a Azure sozinha superou US$ 100 bilhões.
Por que a mudança agora
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
A reorganização é a primeira revisão profunda dos segmentos de divulgação da Microsoft desde 2015 — mais de uma década sem mexer na forma como a empresa reporta seus números ao mercado. O CEO Satya Nadella justificou a decisão apontando a inteligência artificial como uma "mudança profunda", nas palavras dele, que está "apagando as fronteiras entre nossos produtos" e obrigando a companhia a repensar como organiza — e mostra — seus negócios.
Dois blocos no lugar de três
A Microsoft deixa de reportar três segmentos (Productivity and Business Processes, Intelligent Cloud e More Personal Computing) e passa a usar apenas dois: Agents and Infra, que reúne Azure, Microsoft 365, GitHub e toda a infraestrutura de nuvem e software corporativo; e Devices and Consumer, que junta Windows, Xbox, busca e publicidade. Para o próximo trimestre, a empresa já projetou receita de US$ 75,15 bilhões a US$ 75,75 bilhões para o primeiro bloco e US$ 14,7 bilhões a US$ 15,2 bilhões para o segundo.
Quem ganha e quem perde com a transparência
Quem ganha é o investidor e o analista de mercado: agora dá para comparar a Azure diretamente com a Amazon Web Services e o Google Cloud usando o mesmo tipo de métrica — receita em dólar, não só percentual de crescimento. É uma pressão que vinha de longa data, já que rivais como a própria Amazon sempre detalharam o faturamento da AWS linha a linha. Quem perde, em tese, é a própria Microsoft: com o número exposto trimestre a trimestre, qualquer desaceleração no ritmo de expansão da nuvem — hoje o principal motor de crescimento ligado a IA da empresa — fica muito mais difícil de disfarçar atrás de uma média combinada com outros negócios do antigo segmento Intelligent Cloud.
Atualização (03/09, 10:04): A Microsoft detalhou os números por trás da mudança na forma de reportar resultados: o Azure faturou US$ 101,9 bilhões no ano fiscal de 2026 (encerrado em junho), sendo US$ 29,4 bilhões só no quarto trimestre. É a primeira vez que a empresa abre esse valor separadamente.
A companhia também confirmou a reestruturação dos segmentos de reporte financeiro: a partir do ano fiscal de 2027 (iniciado em 1º de julho de 2026), as atuais três divisões — Productivity and Business Processes, Intelligent Cloud e More Personal Computing — dão lugar a apenas duas, batizadas de Agents and Infra e Devices and Consumer. Dentro de cada uma, a Microsoft passa a detalhar receita trimestral de negócios-chave como Azure, M365 Cloud, soluções por indústria e publicidade.
Analistas da Stifel estimam que cerca de metade do crescimento de receita do Azure no ano fiscal de 2026 veio da OpenAI, reforçando o peso da parceria — e da corrida por infraestrutura de IA — no resultado do braço de nuvem da empresa.