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Segurança01 de nov. de 2026, 22:02

Milhares de 'alunos fantasmas' usam IA para roubar empréstimos nos EUA

Departamento de Justiça dos EUA expõe esquema em que criminosos usavam identidades roubadas e IA para simular alunos matriculados e desviar fundos de ajuda estudantil federal.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, o órgão federal responsável pela aplicação da lei no país) anunciou uma operação batizada de "Operation Ghostbusters" contra um esquema de fraude em empréstimos estudantis que usava inteligência artificial para manter "alunos fantasmas" ativos em universidades americanas. Segundo o DOJ, investigadores identificaram mais de 830 mil contas de ajuda estudantil federal (FAFSA) potencialmente fraudulentas. Os golpistas criavam matrículas falsas com identidades de cidadãos americanos roubadas — muitas vezes de pessoas que nunca tinham sequer cursado uma faculdade — e usavam ferramentas de IA para completar trabalhos de curso e simular a presença desses alunos fantasmas em aulas virtuais, o que permitia manter o recebimento de empréstimos e bolsas federais sem levantar suspeitas imediatas das instituições de ensino.

Até agora, cinco pessoas foram indiciadas em três distritos federais — Nova Jersey, Leste da Virgínia e Nebraska. No Nebraska, o queniano Francis Mogambi responde a dez acusações, entre elas furto de recursos do governo e roubo de identidade qualificado. Em Nova Jersey, três réus foram acusados de atuarem como "mulas financeiras" em um esquema que envolveu centenas de alunos fantasmas e mais de US$ 1,3 milhão em proventos. O DOJ apreendeu mais de US$ 750 mil em criptomoedas ligadas a uma rede baseada no Quênia. Segundo a investigação, o esquema opera desde pelo menos 2021 e, caso todas as contas suspeitas se confirmem fraudulentas, as perdas podem chegar a US$ 130 milhões em recursos públicos.

Quem é afetado

As vítimas diretas são os cidadãos americanos que tiveram seus dados pessoais roubados e usados para abrir contas de ajuda estudantil em seu nome, muitas vezes sem nunca terem pisado em uma faculdade. O prejuízo recai também sobre o programa federal de ajuda estudantil dos EUA, que financiou matrículas fantasmas com dinheiro público, e sobre instituições de ensino que, segundo o DOJ, foram usadas como fachada para o repasse dos valores.

O que fazer agora

Mesmo fora dos Estados Unidos, o caso é um alerta sobre como dados pessoais roubados podem virar matéria-prima para fraudes sofisticadas com apoio de IA. Recomendações práticas:

  • Monitore regularmente seu CPF, histórico de crédito e eventuais cadastros em seu nome, principalmente se já sofreu vazamento de dados;
  • Ative alertas de novas contas ou solicitações de crédito/financiamento vinculadas ao seu CPF, quando o serviço oferecer essa opção;
  • Desconfie de mensagens pedindo confirmação de dados para "liberar" bolsas, empréstimos ou benefícios — golpistas usam esse gancho para coletar mais informações;
  • Em caso de suspeita de uso indevido de identidade, denuncie formalmente ao órgão responsável do seu país e registre boletim de ocorrência;
  • Para quem estuda ou pretende estudar no exterior com financiamento, confirme diretamente com a instituição e o órgão de fomento se o programa é legítimo antes de fornecer documentos pessoais.
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