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Ciência05 de out. de 2026, 09:44

Missões espaciais longas aumentam risco de fratura de quadril, diz estudo

Pesquisa da NASA publicada na Mayo Clinic Proceedings encontrou mais fraturas de quadril em astronautas que passaram mais de 90 dias no espaço. Especialistas pedem acompanhamento ósseo mais rigoroso após o retorno à Terra.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine voltar de uma viagem comprida e descobrir, só depois, que seus ossos ficaram mais frágeis do que você sentiu durante toda a volta. É basicamente o que um novo estudo da NASA sugere sobre astronautas: o corpo não avisa que o esqueleto enfraqueceu, e a pessoa pode voltar a treinar pesado achando que está tudo bem — quando não está.

O que o estudo confirma

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

A pesquisa, intitulada "Increased Rates of Hip Fractures Associated With Longer Spaceflight Durations", foi publicada na revista científica Mayo Clinic Proceedings e conduzida por Jean D. Sibonga, do Johnson Space Center, centro da NASA dedicado a treinamento de astronautas e operações de voos espaciais tripulados, em parceria com pesquisadores do Hospital for Special Surgery, de Nova York.

Os cientistas analisaram relatos de fraturas registrados em exames clínicos anuais de astronautas norte-americanos e cruzaram esses dados com modelagem estatística bayesiana. A conclusão confirmada pelo estudo: astronautas que ficaram mais de 90 dias em missões espaciais apresentaram uma taxa de fraturas de quadril mais alta depois do retorno à Terra do que:

  • astronautas que fizeram voos mais curtos;
  • os próprios astronautas antes de suas missões longas;
  • pessoas da população em geral que nunca foram ao espaço.

Outro achado confirmado é que essas fraturas surgiram em idades mais jovens do que o esperado para a população que nunca esteve em órbita.

O que ainda é limitação, não confirmação

Foto: reprodução/phys.org

As fontes consultadas são explícitas quanto a uma limitação importante: os próprios autores reconhecem que a amostra de astronautas é pequena, já que o número de pessoas que já cumpriu missões de longa duração no espaço ainda é reduzido. Por isso, o estudo não divulgou percentuais exatos de aumento de fraturas nem o número preciso de astronautas analisados nos resumos públicos disponíveis até a publicação desta matéria.

Hipótese, não confirmação

O mecanismo citado pelos pesquisadores é a perda de massa óssea e muscular causada pela ausência de gravidade, que forçaria o esqueleto a se adaptar ao desuso prolongado. Essa explicação fisiológica é apontada como a causa mais provável pelos próprios cientistas, mas o estudo não mediu diretamente, nos dados divulgados, qual fração da perda óssea de cada astronauta se traduziu em fratura — é uma associação estatística, não uma relação de causa e efeito totalmente fechada.

Por que isso importa agora

Com a NASA planejando missões cada vez mais longas à Lua e a Marte, os autores do estudo defendem exames ósseos mais completos e contínuos para quem passa períodos extensos no espaço, já que os efeitos no esqueleto podem não ser sentidos pelo astronauta antes de um acidente acontecer.

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