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MercadoIA29 de set. de 2026, 10:58

Modal Labs triplica avaliação em 4 meses e mira US$ 15,75 bi

A startup de infraestrutura de IA está perto de fechar uma rodada de US$ 750 milhões liderada pela Accel, num salto que expõe tanto a fome por capital do setor de inferência quanto suas margens apertadas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 15,75 bilhões é o número que importa

A Modal Labs, startup americana de infraestrutura de computação em nuvem para cargas de trabalho de IA, está perto de fechar uma rodada de US$ 750 milhões liderada pela gestora de venture capital Accel, avaliando a empresa em US$ 15,75 bilhões. O detalhe que faz o mercado prestar atenção não é o tamanho do cheque, mas a velocidade: em maio, a companhia havia levantado US$ 355 milhões avaliada em US$ 4,65 bilhões. Quatro meses depois, o valuation mais que triplicou.

O múltiplo por trás do número

A Modal vende "inference", ou seja, a capacidade de rodar modelos de IA já treinados sem que o cliente precise gerenciar servidores próprios. A empresa, fundada em 2021 e sediada em Nova York, tinha receita anualizada de US$ 300 milhões em maio — o que implica que a nova avaliação equivale a mais de 50 vezes a receita da época, um múltiplo típico de um setor em que a demanda por modelos open-source dispara mais rápido que a oferta de capacidade computacional. Sob o comando do CEO Erik Bernhardsson, ex-executivo de Spotify e Better.com, e do CTO Akshat Bubna, que passou pela Scale AI, a startup soma cerca de 150 funcionários e atende nomes como Cognition, Suno, Ramp e Substack.

Quem ganha e quem perde

Quem ganha, no curto prazo, são os fundadores e investidores early-stage da Modal, que veem o valor de suas participações disparar sem diluição proporcional. Quem também ganha é a Accel, que compra a liderança de uma das rodadas mais disputadas do trimestre. Mas o ganho é relativo: a concorrente Baseten está perto de uma injeção de capital a US$ 26 bilhões, dobrando o valor que tinha em junho, e a Fireworks já reportava receita anualizada de US$ 1 bilhão em julho — ambas sinalizam que a régua do setor subiu ainda mais rápido que a da própria Modal.

Quem perde é qualquer provedor de inferência sem escala ou sem acesso barato a chips: o próprio texto da apuração original destaca que as margens do setor são finas, "largamente porque o custo de adquirir ou alugar computação permanece muito alto". Ou seja, o boom de avaliações não resolve o problema estrutural de custo — ele só compra tempo, e mais capital, para quem consegue levantá-lo. A Modal Labs não comentou a rodada.

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