
Modal Motors capta US$ 2 milhões para motores elétricos sem terras raras
Startup de Michigan levantou rodada seed de US$ 2 milhões para escalar motores elétricos sem ímãs de terras raras, mirando drones, ventiladores e robôs — e reduzindo a dependência de fornecedores chineses.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Modal Motors levantou US$ 2 milhões em rodada seed, fechada em outubro de 2025 e anunciada em novembro, para tirar do papel um plano ambicioso: fabricar motores elétricos sem nenhum grama de ímã de terra rara — e sem depender de um único elo da cadeia de suprimentos chinesa.
A startup americana, sediada em Michigan e fundada por Michael Van Steenburg — engenheiro com uma década de experiência em motores elétricos e passagem pela indústria automotiva, onde trabalhou em drivetrains híbridos gás-elétricos ainda nos anos 1990 —, mira um nicho específico: motores pequenos e leves para drones, ventiladores, sopradores, atuadores e robôs. Não é o mercado de tração de veículos elétricos de grande porte, mas é exatamente onde a dependência de ímãs de terras raras costuma pesar mais no custo e no risco geopolítico.
O pulo do gato: o "Hybrid Enigma Drive"
O diferencial técnico da Modal Motors é um motor planar — achatado, de baixo perfil — batizado de "Hybrid Enigma Drive", projetado para minimizar massa enquanto entrega alta densidade de torque e eficiência sem os ímãs de neodímio que dominam o setor. Segundo a empresa, a arquitetura também é compatível com montagem automatizada, o que promete acelerar a produção e baratear a escala — um ponto sensível para quem historicamente perdeu competitividade justamente para fabricantes chineses verticalizados.
Por que isso importa agora
O timing não é acidental. A China controla a esmagadora maioria do refino e processamento de terras raras usadas em ímãs permanentes, e já usou essa posição como carta de barganha em disputas comerciais. "A China já flexionou os músculos algumas vezes", disse Van Steenburg à TechCrunch, citando restrições passadas à exportação desses materiais. Para uma startup que vende resiliência de cadeia de suprimentos como proposta de valor, cada novo aperto de Pequim vira, na prática, marketing gratuito.
Quem ganha, quem fica de fora
Com apenas US$ 2 milhões no caixa, a Modal Motors ainda está longe da escala necessária para abalar o mercado global de motores elétricos, hoje dominado por fabricantes asiáticos. Mas o aporte financia exatamente a etapa mais delicada: a transição de protótipos para manufatura em série na fábrica de Michigan, mirando aplicações em mobilidade, aeroespacial e robótica. Se a tecnologia sem terras raras entregar o desempenho prometido a um custo competitivo, o principal beneficiário não é só a empresa — é toda a cadeia de fornecedores americanos de drones e robótica que hoje não tem alternativa doméstica viável. A startup foi selecionada para o Startup Battlefield 200 do TechCrunch Disrupt, em outubro, em São Francisco — vitrine que deve funcionar como termômetro do apetite de investidores para a tese de redução de dependência da China no setor de componentes eletromecânicos.