
Morphotonics capta €40 milhões para levar telas a data centers
Startup holandesa de litografia por nanoimpressão, hoje fornecedora de óculos de realidade aumentada, usa a rodada para entrar no mercado de componentes ópticos para data centers de IA.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
€40 milhões (cerca de R$ 235 milhões) é o valor que a Morphotonics, startup holandesa que fabrica telas para óculos de realidade aumentada usando um processo chamado litografia por nanoimpressão, acaba de somar à sua rodada Série B, iniciada em 2024 e fechada agora em etapas sucessivas.
A lista de investidores mistura capital de risco e dinheiro público europeu: 3M Ventures, a gestora de fundos holandesa Innovation Industries, o banco de desenvolvimento regional BOM, a agência de investimento estatal Invest-NL, o EIC Fund (braço de capital do Conselho Europeu de Inovação), o family office holandês Ernij Next e o Banco Europeu de Investimento (EIB).
Quem ganha
Hoje a Morphotonics vive de vender "carimbos" ópticos usados para produzir waveguides — as lentes que projetam imagem dentro de óculos inteligentes como o Meta Ray-Ban Display, o Even Reality e o Magic Leap — além de telas de privacidade para painéis automotivos. Esse negócio de hardware responde por 90% da receita da empresa, que hoje tem 60 funcionários e prevê chegar a 70-75 com o aporte.
A empresa diz ter entre 10 e 15 sistemas de produção instalados no mundo e quer chegar a 50 em dois a três anos. Uma máquina nova, com capacidade para mais de 6 milhões de waveguides por ano, deve sustentar esse salto.
A aposta nova
O dinheiro também abre uma frente inédita: componentes ópticos para data centers, na modalidade chamada co-packaged optics, que integra fotônica a circuitos integrados para acelerar a transmissão de dados — gargalo crescente à medida que data centers de IA multiplicam o tráfego interno de informação.
A aposta da Morphotonics é que a mesma tecnologia usada para fabricar lentes baratas em escala sirva para baratear peças ópticas de datacenter, hoje caras e fabricadas em processos mais artesanais. Falta saber se a empresa vai conseguir tração comercial nesse mercado tão disputado quanto o de óculos inteligentes, e se os grandes players de data center vão apostar em um fornecedor ainda pequeno para uma peça crítica de infraestrutura.