
Morre aos 84 anos Toyohiro Akiyama, primeiro japonês e primeiro jornalista no espaço
Ex-correspondente da emissora japonesa TBS, ele passou quase oito dias na estação Mir em 1990, na primeira viagem espacial comercial da história. A causa da morte foi hemorragia gastrointestinal.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagine embarcar num foguete sem nunca ter estudado engenharia ou física, fumante inveterado obrigado a passar dias sem cigarro a 400 km de altitude, e ainda por cima ter que narrar tudo ao vivo para milhões de telespectadores. Foi essa a missão de Toyohiro Akiyama, o jornalista japonês que morreu em 26 de agosto de 2026, aos 84 anos.
O que está confirmado
Akiyama nasceu em Tóquio em 22 de julho de 1942 e formou-se pela International Christian University. Trabalhou na BBC World Service entre 1967 e 1971 e depois construiu carreira na emissora japonesa TBS (Tokyo Broadcasting System), chegando a chefe de correspondentes em Washington. Em dezembro de 1990, aos 48 anos, ele decolou a bordo da espaçonave soviética Soyuz TM-11 rumo à estação Mir — tornando-se o primeiro cidadão japonês a ir ao espaço e o primeiro jornalista da história a relatar de órbita.
A viagem foi batizada de "Mir Kosmoreporter" e durou 7 dias, 21 horas e 54 minutos. A missão também é considerada o primeiro voo espacial comercial da história: a TBS pagou pela vaga do jornalista, selecionado entre 162 candidatos internos para celebrar os 40 anos da emissora. Durante a estadia na Mir, Akiyama fez transmissões diárias, incluindo demonstrações de ausência de gravidade com brinquedos e objetos do cotidiano. Ele retornou à Terra em 10 de dezembro, a bordo da Soyuz TM-10.
Segundo o site especializado collectSPACE, a causa da morte foi hemorragia gastrointestinal inferior. Após a aposentadoria da TV, Akiyama lecionou na Kyoto University of Art and Design.
O que é hipótese ou contexto adicional
Relatos da época — não verificáveis com precisão científica, mas amplamente registrados pela imprensa japonesa — descrevem que Akiyama enfrentou enjoo espacial intenso e sintomas de abstinência de nicotina nos primeiros dias em órbita, o que teria afetado a qualidade de suas primeiras transmissões. Não há detalhes públicos sobre o estado de saúde de Akiyama nos anos recentes que precederam sua morte, nem sobre onde ele estava morando no momento do óbito.
Sua trajetória segue como um marco simbólico: décadas antes de bilionários e turistas espaciais virarem rotina nas manchetes, um repórter sem qualquer formação técnica provou que o espaço também podia ser território do jornalismo.