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Ciência04 de set. de 2026, 16:57

Motores do Artemis III são instalados enquanto foguete chinês se rompe em órbita

A NASA começou a instalar os quatro motores RS-25 do foguete que levará astronautas à Lua, enquanto um estágio do foguete chinês Long March 6C se fragmentou em órbita baixa, repetindo um padrão preocupante de rupturas.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: cada um dos quatro motores RS-25 que agora estão sendo encaixados no foguete do Artemis III pesa cerca de 3.500 quilos — mais que um caminhão pequeno — e gera perto de 500 mil libras de empuxo, potência suficiente para ajudar a levantar do chão um foguete do tamanho de um prédio de 30 andares rumo à Lua.

O que foi confirmado sobre o Artemis III

Técnicos do Kennedy Space Center, centro de lançamentos da NASA na Flórida, iniciaram em 24 de agosto a instalação dos quatro motores RS-25 no estágio central do foguete SLS (Space Launch System) que deve levar a missão Artemis III à Lua, atualmente prevista para 2027. Os motores — identificados como E2054, E2057, E2048 e E2052 — não são novos: já voaram em múltiplas missões do extinto programa Ônibus Espacial americano, incluindo voos de montagem da Estação Espacial Internacional. A entrega física ocorreu em 21 de julho, feita pela fabricante americana L3Harris Technologies, e esta é a primeira vez que a integração dos motores ao estágio central acontece na posição vertical, mudança que a NASA diz que deve simplificar e acelerar o processo.

Foto: reprodução/nasa.gov

O que foi confirmado sobre o foguete chinês

Em paralelo, um estágio superior do foguete chinês Long March 6C — veículo operado pela estatal chinesa responsável pelo programa espacial do país — se fragmentou em órbita poucos dias depois de completar uma missão que colocou sete satélites em órbita, segundo a empresa americana de rastreamento orbital LeoLabs, que estima entre dezenas e centenas de fragmentos gerados pelo rompimento. O episódio ecoa um padrão já registrado com o Long March 6A, variante do mesmo programa: desde 2022, quatro rupturas de estágios superiores dessa família de foguetes já lançaram mais de mil fragmentos em órbita baixa, sem que as agências chinesas CASC, SAST ou CNSA tenham divulgado publicamente uma explicação técnica para os episódios anteriores.

Por que a órbita importa

Os destroços foram detectados na faixa de 800 a 900 quilômetros de altitude, região usada por constelações de satélites de observação da Terra e sensoriamento remoto. Nessa altitude, o arrasto atmosférico é fraco demais para puxar os fragmentos de volta à atmosfera em prazo curto — o que significa que os destroços podem permanecer em órbita por décadas, aumentando o risco de colisão para outros satélites operacionais ao longo desse período.

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